"A Cartomante" é o primeiro poema de Alex Costa para o LiteraturaBr
Quando ontem me olharam e disseram
Que o mundo hoje findar-se-ia,
Ri na cara daquela pobre infeliz
Sem saber que sina triste eu
teria.
Cheguei em casa. Bati na porta. Ninguém
abriu.
Dei a volta para entrar pelos
fundos, logo pensei:
“que milagre, o Rex ainda não
latiu!”
Mas eles estavam em casa - D.
Nice me garantiu.
A porta entreaberta, as roupas
estendidas no varal,
A casa em fúnebre silêncio - estranhei;
Rex deitado ao lado do fogão, um
osso
Que não terminou de roer. Chamei:
- Berenice, cadê você, minha
nega?
E o pesar do silêncio no ar.
Corri avexado à sala,
E quando fui à cortina levantar,
Foi como um tiro: três corpos sem
vida,
Um mar de sangue e a Morte, toda
faceira, deitada no sofá.
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