Wednesday, September 28, 2011




Macunaíma é uma obra que foi lançada em 1928 pelo tão conhecido Mário de Andrade. A obra virou filme em 1969, rodado por Joaquim Pedro de Andrade. A diferença entre as duas obras já se inicia pela categorização que são dadas as mesmas: o primeiro é uma rapsódia, o segundo uma comédia. Para Mário, a classificação feita ao livro é para enfatizar que ali se cantará os feitos de um herói. Porém, Macunaíma de herói não tem nada, ele é um anti-herói, e há quem diga que ele é apenas um herói mau. Já no filme, a rotulação de comédia já nos dá a entender que ali irá ter cenas e motivos para risadas, enquanto na rapsódia isso não é esperado.
Essa divergência, acredito, surge por conta das diferenças entre livro e filme. No livro, o personagem possui uma representatividade, que é uma busca pelo que é ser brasileiro, existe uma relação entre Macunaíma e seu povo. Já no filme o que se vê é apenas o lado “ruim” do anti-herói e sua preguiça constante, que também é representada muito forte no livro. Mas entendemos que o filme não veio para retratar fielmente a obra, mas que veio fazer uma nova releitura, já que foi filmado 30 anos após a publicação do livro.

Macunaíma nasceu no meio do mato, e sua mãe nunca lhe quis bem. Quando criança, e assim nasceu, fica a comer terra e brincar de mentir, de atraiçoar e de praticar muitas safadezas com seus irmãos: Maanape e Jiguê.

Quando sua mãe o manda embora, no livro, Macunaíma cresce e se apaixona pela índia Ci, A Mãe do Mato, seu único amor, que lhe deu um filho, um menino morto. Já no filme, quando Macunaíma chega à civilização, Ci é representada por uma revolucionária, que acaba morrendo com o único filho que Macunaíma teve. No filme, após Ci ter saído com a criança e uma bomba relógio dentro do carrinho do filho deles, a bomba explode matando os dois.

Depois da morte de sua mulher, Macunaíma perde um amuleto que um dia Ci havia lhe dado de presente, era a pedra “muiraquitã”. O anti-heroi ou o herói mau fica desesperado com a perda, até que descobre que a havia sido levada por um mascate peruano, Vesceslau Pietra, o gigante Piamã, que morava em São Paulo. Já no filme, a pedra é encontrada pelo mesmo “gigante”, que no filme representa um poderoso industrial, dentro de da barriga de um peixe. Depois da descoberta do destino de sua pedra, Macunaíma e seus irmãos resolvem ir atrás dela para recuperá-la. No livro, Piamã era o famoso comedor de gente, mas mesmo assim ele vai atrás de sua pedra.

Após conseguir a pedra, Macunaíma regressa para a sua tribo, onde após uma série de aventuras finais, finalizando novamente na perda de sua pedra. Então, ele desanima, pois sem o seu talismã, que, no fundo, é o seu próprio ideal, o herói reconhece a inutilidade de continuar a sua procura, se transforma na constelação Ursa Maior, que para ele, significava se transformar em nada que servisse aos homens, por isso, vai parar no campo vasto do céu, sem dar calor nem vida a ninguém.

As diferenças ficam bem evidentes quando lida a obra e visto o filme. As simbologias existentes no livro ficam, talvez, perdidas por ter sido o filme realizado após 30 anos a existência da obra literária.

Mas temos de entender que uma obra como Macunaíma, quase uma lenda, um mito, representou muito para a sua época, e assim o diretor Joaquim quis fazer o mesmo para com sua época sem perder todo o valor representativo da obra Macunaíma.

Thursday, April 09, 2009




Sagarana


João Guimarães Rosa, tido como um dos maiores escritores brasileiros por sua revolução na maneira de escrever, já era premiado pela Academia Brasileira de Letras em 1936, dez anos antes de sua primeira publicação, por ter participado num concurso pela mesma academia com uma coletânea de poemas intitulada Magma.

Mineiro da gema, Guimarães Rosa aparece em 1946 para conhecimento do público com seu primeiro livro intitulado Sagarana. São nove as peças que compõem o livro. Peças estas que são tidas não como contos, mas em sua maioria como novelas, gênero peculiar de Guimarães Rosa.

Em Sagarana iremos encontrar o regionalismo como tema preponderante, o material folclórico, a magia que cercava aquele povo do sertão mineiro, a religiosidade, neologismos, um léxico vasto e a arte de contar estórias de um autor que nos leva a crer que ali se encontra um gênio.

João Guimarães em uma carta em resposta a João Condé fala sobre a criação de Sagarana. Conta ele que o ambiente em que se encontrariam suas estórias seria o interior de Minas Gerais, e que o livro seria composto por doze novelas. Após “sete meses de exaltação, de deslumbramento”, como diria o próprio autor, estava pronto o livro a 31 de dezembro de 1937. Destas doze novelas, Questões de família e Uma história de amor tiveram fim trágico, ambas foram destruídas. Bicho Mau ficou guardada para ser publicada em outro livro..

A linguagem de Rosa será sempre alvo de estudos. Neste seu primeiro livro, ele já começa a criar novas formas e vai mostrando no decorrer das histórias como se dava a língua falada dos capiaus. Sempre fiel à maneira de falar dos seus homens, Rosa escreve as palavras da maneira que são ditas como: papiatos, condizendo, opiniudo, esmochado, bijungidos, babujando, carapuçudo, arapuado, espandongado, rodeiras, etc., criando, portanto, uma nova maneira de escrita. Uma escrita falada.

As nove peças que encontramos em Sagarana continuam como diria João Condé, a grande tradição da arte de narrar. Ponto interessante de se observar, pois é quanto à maneira de contar as estórias que notamos como Rosa utilizava-se das palavras para nos dar a impressão que as cenas das peças é quem definiam a cadência daquelas.

Temos em Conversa de bois uma linguagem mais pesada, devagar, arrastada. O enredo gira em torno de oito bois que falam entre si, atrelados a um carro-de-bois. Sob comando de Agenor Soronho com ajuda do guia Tiãozinho, os bois levam uma carga de rapadura e sobre ela um morto, pai do pequeno guia.

Já em A volta do marido pródigo, temos uma linguagem mais solta, despojada. Até mesmo porque Lalino Salãthiel é um malandro nato, que não gosta de trabalhar e adora uma boa conversa. Sempre cheio de estórias arranca simpatia de todos, até mesmo quando deixa a mulher, praticamente vendida, para um espanhol.

Outra característica forte encontrada no livro é quanto à questão da tensão. O autor intensifica-a fazendo com que o leitor se aproxime de um desfecho trágico já previsto por este. Mas, quando já damos por encerrado a estória, predizendo que já sabemos como irá acabar, eis que algum acontecimento brusco acontece, trazendo à tona um acontecimento totalmente inesperado, consistindo numa ação que produzirá destruição ou sofrimento – algo típico da tragédia. Rosa fará isto sempre baseado na verossimilhança.

A superstição é também um dos elementos mais importantes na construção dos contos São Marcos e Corpo Fechado. Em A hora e vez de Augusto Matraga encontra-se também a questão da dualidade bem e mal, pois um homem que parecia ter o “diabo no corpo”, no final usa essa maldade gigantesca para realizar um bem maior.

Quem ouve falar de Rosa, talvez a primeira vista, fique com certo receio de lê-lo pela riqueza léxica encontrada em seus livros, dificultando o acesso à maioria dos leitores. Mas quando finalmente se toma coragem e abre-se não só Sagarana, o mundo fabuloso dos capiaus, mas toda obra de João Guimarães Rosa, toda aquela impressão some e nos incorporamos ao ambiente e aos personagens ali encontrados. Talvez na literatura brasileira não se encontre outro homem deste porte. O mundo criado por Rosa e toda sua maneira de expressão são de uma genialidade titânica. Rosa nos faz sentir próximos ao que se pode chamar de Literatura. Portanto, quem não o leu ainda, pare o que estiver fazendo e saboreie os prazeres encontrados no fabuloso mundo de João Guimarães Rosa.

Friday, February 08, 2008

A Festa do Bode

O livro mostra como foi a Era Trujillo. Com aspectos jornalísticos misturando-se com romance, o livro tem de primeira vista uma narração que não empolga, mas mantendo-se uniforme na leitura, você se vê diante de uma intriga, de um assassinato, de rasteiras políticas, de medo e de muita obra podre que este livro contem.

Falando sobre os 31 anos que Rafael Trujillo ficou a frente do poder da Republica Dominicana, mandando e desmandando, utilizando-se de um presidente-fantoche, para parecer que a Republica Dominicana vivia numa democracia, Trujillo, mata e não da chances de seu inimigo suspirar ao menos.

De repente nos vemos na varanda do apartamento de Urânia Cabral; filha do celebre Cerobrozinho Cabral, assim era conhecido Agustín Cabral, presidente do senado. Ela estava ausente há 30 anos de seu país e decidira voltar sem saber bem o porquê.

As vésperas de mais um atentado contra o Chefe ou o Bode, como é conhecido Trujillo, vemos que nem todos que estão ao seu lado há mais de 30 anos querem vê-lo continuar no poder. O presidente Balaguer sempre quieto no seu cantinho, parecendo o um bichinho de estimação mostra-nos suas garras que podem ser de ferro quando o General morre, e vê que pode ter o país em suas mãos.

Com uma forma interessante de se contar toda a história, Mario Vargas nos ensina uma maneira de dialogar e trazer à tona cenas do passado em momentos totalmente oportunos. Alguns críticos viram que Urânia Cabral seria “ a personagem de peso” do romance-jornalistico, se é que assim se pode chamar o texto de Vargas. Tentando dar a ela um peso pscicologico, so que o que vejo, é que ela é somente mais uma história de Rafael Trujillo, uma das tantas que ele desgraçou. O principal é a forma de governo, como após sua morte foi encaminhado o país para a democracia. Como os personagens antitrujillistas compactuaram com uma forma de matar o Chefe, como ele os desgraçou. Vargas me mostrou o que é não ter tanta fé em um livro, e depois se arrepender em ter pensado nisto, arrepiei- me, não do começo ao fim, mas no prenuncio do fim e no fim, e adoro isto.

Vargas Llosa, Mario – A Festa do Bode / Mario Vargas Llosa ; Tradução: Wladir Dupont. – São Paulo: Mandarim, 2000.

Saturday, September 16, 2006

E do meio do mundo prostituto só amores guarde ao meu charuto

E do meio do mundo literário de Rubem Fonseca, só novas maneiras de escrever eu guardei. Mandrake, um personagem muito conhecido dos leitores de Rubem Fonseca, é um advogado que conquista mulheres sem fazer o menor esforço. É submetido a encontrar-se com Gustavo; outro personagem de Rubem em livro Buffo&Spallanzani. Gustavo, é um escritor que por causa de um acontecimento que lhe ocorreu por causa de uma mulher casada, veio a deixar de fazer romances, e agora está metido em ensaios, já que seus dois últimos livros foram uma decadência total. Como no outro livro de Rubem, ele é tido com suspeito de um assassinato graças ao seu apetite por mulheres, que por acaso parece com o de seu advogado.

Um homem, várias mulheres, como é de praxe nos romances de Fonseca, e dois assassinatos movem este romance emocionante. O enredo da história procura nos mostrar que amar não é tão difícil quanto se parece. Mas amar várias mulheres tem o seu quê de presunção. Mulheres que haviam tido casos antigos com Gustavo reaparecem mortas. Chegam-lhe pelo correio fotos de suas ex-namoradas, que consequentemente estas viriam a morrer. Fotos estas que pertenciam a Gustavo e que ninguém mais possuía. Claro que alguém conhecido seu teve acesso as suas coisas, mas quem?

O livro no começo não leva a crer que o romance irá nos abalar. Mas quando vai chegando seu derradeiro final, chegando ao clímax, podemos sentir nossos pêlos se eriçarem. Rubem Fonseca tem esse dom. A trama se desenrola toda em contorno aos diálogos que Mandrake gravou em conversas que lhe foram proibidas, e outras que lhe foram permitidas, deixando-nos sempre a par das conversas.

Amanda, Luíza, Sílvia, Hilde, Regina, Farida. Estas seis mulheres, aparentemente todas apaixonadas pelo escritor. Mulheres casadas, viúvas, solteiras, amantes; sofreram nas mãos de Gustavo. Mulheres morrendo, e duas das quais foram citadas tinham acesso a casa de Gustavo. Mas quem poderia ter feito algo assim? Uma delas tenta matar Gustavo por ciúme. Aí entra o amor doentio com sua faca letal. Vários amores diferentes, até que ele se depara com este que é dos piores e por pouco não perde sua vida. Mandrake fica tento por Gustavo uma certa estima, e esses dois grandes personagens de Rubem Fonseca, quem sabe, não poderão se encontrar num futuro próximo que nos anime mais e mais....

por Nathan Matos

Thursday, September 14, 2006

Ressureição

Medroso, inseguro, desconfiado. Essas são apenas alguns defeitos do coração do Dr. Félix. Homem que na sua mocidade suspirava por coisas fugitivas, hoje era um homem de trinta e seis anos, vadio e desambicioso. Se tornara assim depois que fôra lembrado por Deus com uma herança inesperada, tirando-o assim da pobreza.

Dr. Félix era o tipo de homem que não levava suas paixões a sério. Podemos até mesmo duvidar se chegavam a ser paixões. Ele dizia que um caso de amor só devem durar duas estações; ou então seis meses. O narrador do livro já nos faz esssa demonstração logo no segundo capítulo do livro. Ele indo a casa de Cecília para acabar com o amor que já estava chegando nos seus limites, e que ele achava por certo terminar aquela história. E assim o fez.

O livro logo no começo já nos mostra que rumo pode tomar a a história do coração de Félix. Um homem que provavelmente já tenha sofrido com o amor, e que agora não liga mais para ele. Mas no decorrer da história, e com a intromissão do autor-narrador, ele faz-nos perceber que a história com certeza irá tomar um rumo digamos um pouco diferente. Creio eu que na realidade a história em si não importa tanto, mas o modo como é contada por Machado, sempre meticuloso, ele dá seus ares da graça a todo instante e sempre nos deixando a par de todas as situações. Mas vamos ao que interessa...

Viana, tido por Félix como um parasita de considerações e da amizade, éo tipo de moço que vai atoda parte e conhece a todos, sempre falador e chamando atenção sempre. Viana vai a casa de Félix com um convite mandado pelo coronel para que este compareça ao sarau à noite. Viana conta a Félix que sua irmã Lívia veio morar com ele, tendo em vista que o marido da mesma havia morrido. Lívia viria pra morar com o irmão, mas já pensava em viajar pra Europa.

Os dois se encontram no sarau à noite em casa do coronel. No decorrer da noite, Félix vai se chateando com tudo que está a sua volta e decide ir embora, até que o coronel pede para que Lívia o retenha.

Os dois se conhecem e ficam amigos. Já podemos saber o que irá acontecer. Os dois se apaixonam. Félix o homem do coração de pedra revela em determinado momento do livro:
“Meu coração que aparenta se de marmórenão passa apenas de argila comum”. Aqui podemos ver que ele poderia sim vir a se apaixonar. Mas o seu coração cego pelo medo de perder a mulher, tendo sempre ciúmes que não haviam razões para existir vai malogrando todo o amor que por Lívia lhe era dado.

Quando imaginamos que Lívia o deixará, ela sempre o quer ter de volta. E ele persiste em seus erros, em pensar coisas escabrosas de seu amor, acreditando mais nas pessoas que falam coisas dela pra ele, do que nela mesma. Marcam o casamento e este quando está por acontecer, eis que Félix recebe uma carta anônima dizendo que deixe o casamento de lado, e ele o faz. Se não fosse por Meneses, um amigo seu, que por ora fora também apaixonado por Lívia, ele não teria ido ao encontro do seu amor, que encontrava-se adoentada.
Mas, por já ter feito Lívia sofrer tanto, e de tanto pedir perdão e desculpas, e por Lívia sempre o ter perdoado, e por tê-lo amado tanto sempre, eles não ficarão juntos como se poderia de se esperar para alguns leitores. Machado é fascinante, e eu que tinha medo daquela sua barba e daqueles seu olhar, hoje me deparo e digo: Leiamos Machado de Assis.

Serviços: de Assis, Machado.Ressurreição.Editora Formar, SP. 2005.

Wednesday, April 19, 2006



A Casa dos Budas Ditosos

João Ubaldo Ribeiro afirma ter recebido de uma senhora de quase setenta anos um pacote com várias fitas gravadas contando histórias sobre sua vida. Uma mulher devassa, libidinosa e que não tinha medo de fazer sexo quando bem entendesse. O importante é que no livro é nos relatado algo de que todo ser humano tem medo de falar e até de fazer.
A protagonista nos conta como se iniciara no sexo. Ela diz ter nascido para isso, pois nunca tinha ouvido nada de ninguém, mas ela sabia o que devia fazer. Tendo começado sua aventura sexual com um negrinho que morava no sítio do avô, conta como fizera para perder sua virgindade pela frente, como ela costuma falar, porque no cu já havia perdido faz tempo.
Ela detestava ter que em sua época ter que fingir de que não sabia de nada quando ia fazer sexo com algum homem. Tinha que fingir que nunca tinha pegado num cacete, de como nunca havia dado o cu para ninguém, que era essa sua primeira vez. Achava tudo isso uma hipocrisia. Se bem que ela acha muita coisa hipocrisia. Ela acha que devíamos ser mais mente abertas para o sexo. Ela aprendera muito com sua amiga Norma Lúcia, que era pra ela uma ídola, sim, ídola mesmo. Ela não tinha inveja daquelas destrutivas, mas inveja de um dia conseguir fazer tudo que Norma Lúcia fazia. E depois de algum tempo, claro que conseguiu.
Fez com que muitos homens e mulheres melhorassem em suas relações sexuais, achando que fizera até favores a muitos destas pessoas. Concordo com ela. Acha ela que homens e mulheres não devem ter frescuras para todo tipo de sexo, ela por exemplo sempre dizia que os homens gostam de ver mulheres se beijando, se comendo, mas quem disse que mulher não gosta de ver homens se chupando, se comendo, fazendo tudo que tem direito? Tanto é que ela deixava de fazer sexo com homens que não davam o cu para seu marido por preconceito e nem chupavam outro homem. Quando algum homem só queria ser chupado por outro ou enrabar outro, ela fazia com que o otário se sentisse menosprezado, e não é que o cara acabava dando o cu e chupando o pau de seu marido ou de quem estivesse com ela?
Ela e o marido eram dois alucinados por sexo, assim como inúmeros dos seus amigos. Ela sempre falava que a melhor coisa que tem é fazer sexo com amigo, que não existe esse que não se pode transar com amigo por medo de perder amizade. É até melhor, diria ela, pois fica-se mais a vontade, os encaixes saem melhor. Se não fosse para transar com amigo, era melhor transar com alguém que não se fosse mais ver na vida.
O livro pode parecer de uma imoralidade tremenda, mas acho que não passa de uma conversa totalmente sem censura sobre sexo. Quando ela fala sobre seus casos com seu irmão, seu tio, e dizia que se arrepende de não ter comido seu pai, várias pessoas podem ter parado de ler o livro ou ter continuado lendo o livro por curiosidade que o ser humano tem. Pode até ser que quem leu o livro venha mais a frente dizer que não leu por pura vergonha, ou hipocrisia como minha heroína fala.
Merece ela palmas, ou João, o pervertido. O importante é que foi declarado no livro algo que toda pessoa viva que não seja um débil mental tem sim vontade de fazer. Só o que existe como foi dito, são pessoas assim, pessoas incestuosas, pessoas que gostam de sexo animal, de grupal, de todas as formas de sexo. Não se pode repreender isto, não se pode virar os olhos para o outro lado, pois até do outro lado vai haver sexo para ser visto. Não adianta você falar que não pensa nisso. Pensa, e se duvidar pensa até igualmente como ela pensa.
A realidade é que nunca iremos saber realmente se João inventou esta história ou se realmente existiu essa tal mulher. Ela pode até ser fruto da cabeça de João Ubaldo, mas que existem inúmeras mulheres e homens como ela, ah isso existe. E como diria minha heroína que não tem papas na língua e que ama o sexo eu vos pergunto : O que é a vida? E ela vos responde: É foda.A vida é foda.

Serviços: Ubaldo Ribeiro, João. 1a ed.Editora Objetiva LTDA. Rio de Janeiro, 1999..

Wednesday, April 12, 2006



Revolução dos Bichos

A revolução acontece na Granja do Solar, que mais tarde virá a se tornar Granja dos Bichos. Major, um porco de doze anos, sonhara como todos os bichos poderiam sair da escravatura imposta pelos humanos, seus donos, para serem livres. Diz ele que tem que se fazer uma revolução e ser posta em prática o Animalismo, uma analogia ao Comunismo.
Onde todos os bichos irão trabalhar para si próprios e que não precisariam serem escravos nunca mais dos seres humanos. Major morre, Bola-de-Neve e Napoleão, dois porcos que ficaram por cuidar das idéias do Major, põem em prática a idéia do Animalismo.
Certo dia, os donos da Granja ficaram sem alimentar os animais e estes se revoltaram e tentaram invadir o depósito onde os alimentos se encontravam. Mas Jones e seus ajudantes viram a invasão dos animais e saíram a chicoteá-los. Os animais foram à luta e quando eles menos esperavam conseguiram colocar os donos, Jones e sua mulher, para fora da Granja do Solar.
Começa então uma nova vida para os bichos. Todos irão para o campo trabalhar, o trabalho será dividido igualmente, e o fruto deste trabalho também. Os porcos, os únicos que sabiam ler e eram tidos como os animais inteligentes da Granja, ficaram responsáveis pela organização da nova comunidade. Tudo vai correndo bem. A Granja do Solar tivera seu nome mudado para Granja dos Bichos e fora até fabricada uma bandeira verde com um chifre e uma ferradura no centro da bandeira, tendo este símbolo como símbolo do Animalismo. Vejam que até na bandeira Geroge Ornwell faz alusão ao Comunismo.
Intrigas virão entre Bola-de-Neve e Napoleão, este por sua vez irá expulsar Bola-de-Neve da Granja por não aceitar as idéias de Napoleão. Aos poucos a escravidão vai ressurgindo. Só que agora os animais não trabalham mais para os humanos e sim para os porcos. Antes os animais que tinha aversão aos seres humanos vão transformando-se iguais a eles. Vai surgindo uma desigualdade social na Granja, onde os cachorros e porcos serão, digamos, um nova burguesia e os demais bichos seus escravos.
Os mandamentos que foram criados pelos porcos, os sete, aos poucos vão sendo modificados por ordens de Napoleão. Vai sendo feita também uma certa lavagem cerebral nos bichos. Tendo-se em vista que estes animais não possuem memórias muito boas como as dos porcos, estes inventam inúmeras histórias. Por exemplo, que fora herói da luta pela revolução fora Bola-de-Neve, mas aos poucos, os porcos fazem com que Bola-de-Neve seja visto como traidor dos animais.
O livro é de uma extrema crítica, que fique claro, não às idéias do Comunismo, mas ao totalitarismo que fora posto em prática por Stálin. Tanto é tamanha crítica a URSS, que temos Major como Lênin, Bola-de-Neve como Trotsky e Napoleão como Stálin. Quem conhece um pouco sobre a revolução ocorrida na URSS irá ficar de queixo caído de como Geroge Ornwell faz com que uma revolução feita pelos homens seja igualmente possível ser feita por seus bichos.
O final do livro é uma coisa esplendorosa, que nos mostra que podemos até tentar mudar o modo de sociedade, mas o ser humano não muda, tanto é que os porcos que viviam em luta com os homens, seus eternos inimigos, tornam-se iguais na sua podridão humana.


Meus Verdes Anos

Após ter lido quase todos os seus livros, faltando somente os de crônicas, pude ter a certeza de que noventa por cento dos seus livros foram baseados em sua vida. Meus verdes anos faz com que tenhamos certeza disso. Vários dos personagens “criados” por Lins do Rego realmente existiram e conviveram com ele.
Neste livro de memórias que diz ele reter o que ainda lembrava de sua infância nos mostra de onde vem tanta clareza em sua escrita. Um garoto que era tido praticamente como um asno, sem conseguir juntar as palavras ou distinguir os números vem a ser um dos maiores escritores de nosso país. Um pouco esquecido devo realçar. Não lhe é dado o devido respeito José Lins do Rego como acho que deveria ser dado.
O livro mostra o amor que o menino de engenho tinha pelo seu avô. Mesmo este sem nunca ter lhe dado um abraço, um beijo, mas sempre demonstrando seu amor com seu jeito duro. O velho que era pra ele maior que tudo. Mesmo depois descobrindo que se avô não era dono de tudo, não era maior que todos, continuava a amá-lo.
Órfão, Lins do Rego veio a ter praticamente três mães, que fora perdendo aos poucos. Sempre se achando numa solidão profunda, na qual fazia com que temesse todos. Asmático, sempre que algo de duro lhe era feito, como quando o marido de sua Tia Naninha reprimia-lhe apenas por odiá-lo, aparecia-lhe aqueles miados de gato no peito, fazendo com que tivesse sempre que ter uma sessão de vomitórios e trancafiado em cima de uma cama.
Sabemos agora que não apenas Meus verdes anos é um livro autobiográfico, mas que toda sua obra o é. Lins do Rego passa para mim, após ter lido seus romances todos, com certeza a ser sem sombra de dúvidas com este seu regionalismo formidável, não um dos melhores de nossa terra, mas sim, um dos maiores.

Serviços : Editora José Olympo, 2a Ed., Rio de Janeiro, 1957.