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24 de fevereiro de 2014

O dia em que o diabo soprou no meu cangote



- Leve isso para aquela senhora, por favor.

O garçom foi lá entregar o bilhete. Ficou gesticulando e apontando para mim. Eu sorri. Ela sorriu. Me aproximei.

- Tudo bem?

- Tudo. Criativo você.

- Tentei me esforçar. Você mora por aqui? - Perguntei.

- Moro aqui na rua de trás.

Eu já conhecia a dona. Ela era a viúva do velho Matias, o “Nariz”. Foi encontrado morto no quarto de um motel. Overdose de cocaína. O dinheiro ficou. E quem o guardava estava se embebedando comigo. Fomos para sua casa.

Enquanto ela tomava banho eu me servia com o Jack Daniel's do falecido. Depois de vinte minutos ela apareceu com uma espingarda nas mãos apontada para mim.

- Calma aí, baby. - Disse eu.

- Acha que eu não sei quem você é? Aquela puta que matou meu marido no motel é sua namoradinha.

Ela engatilhou a porra de cano duplo. Senti o diabo soprando no meu cangote. Terminei o meu Jack e fechei os olhos


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