Uma crônica vespertina
Disseram-me uma vez que se eu lesse
demais eu acabaria por ficar louco. Não sei se foi minha mãe ou algum
amigo-transeunte quem disse. Eu nunca liguei muito pra isso, mas mesmo assim eu
acreditava que poderia ser verdade. Afinal, vários escritores e pensadores
enlouqueceram. Se a leitura não foi a culpada, o pensar deve ter sido, quase
com certeza afirmo isso.
Ainda hoje, depois de alguns poucos anos
lendo, me pergunto por que gosto de ler e por que me enveredo neste mundo da
escrita ou em tentar dissipar “conteúdo literário” de várias pessoas, que
conheço ou não, pelo mundo, principalmente pela internet. E a resposta pra isso
é que não sei. Talvez seja a simples falta do que fazer, como afirma a maioria
das pessoas, talvez eu queira aparecer, ser conhecido, talvez eu queira fazer
contatos com pessoas que são portadores de algum sucesso ou simplesmente faço
isso porque me dá prazer. Vai saber.
O que importa pra mim é perceber que o
tempo que gasto lendo ou escrevendo é algo que me faz bem, e talvez seja isso
que incomode as pessoas. Este espaço que criei na internet, com um nome
quase-feio “LiteraturaBr” surgiu há alguns anos e foi ficando, fincando-se como
uma estaca ao longe demarcando o meu terreno. Depois, muito depois uma frase,
no meio da noite, no meio do nada, surgiu “aqui o quixote tem vez”, e várias
pessoas, amigas, pessoas perto de mim, que eu gosto e gostava, disseram que era
uma frase ruim, mas eu mais uma vez teimei e coloquei como subtítulo do meu
blog literário.
Hoje, pouco mais de 1 ano e meio no ar,
algumas pessoas me conhecem pela “casa” que ergui, de início, sem ninguém, e
aos poucos com ajuda de alguns pedreiros-literatos que perdem o seu tempo, o
pouco tempo livre que possuem aqui, enviando-me textos para que possamos
dissipar para quem gosta de ler e para quem tem tempo para ler. Os que não
possuem tempo, uma hora ou outra, na frente da tela do computador irão se
deparar com alguma frase de efeito, compartilhada por algum conhecido, e talvez
isso o faça ler um parágrafo do texto publicado por nós, talvez ele leia o
texto inteiro, talvez, e melhor ainda, ele consiga ler o livro que apontamos
como algo que pode trazer algum benefício (quem é que sabe?) na vida dele.
É isso que buscamos, que com as
contribuições que são aqui repassadas possam ter algum acolhimento, por quem
quer que seja, enquanto houver um leitor vivo talvez, talvez, teremos salvação.
Nathan Matos
Criador do LiteraturaBr

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