Resenhas Entrevistas Contos Poemas Crônicas Ensaios
4 de novembro de 2014
Estado de off

Estado de off



Meus olhos são porta-aviões perdidos no caos do oceano

Minha mente quer abarcar o mundo e sofre
Não aguenta
Não espera
Desespera
Não sinto nada a não ser a falta

E estou off

Desliguei-me para aguentar a sobrevida
Cortei os pulsos da ilusão
Assim ela não mais brandirá sua espada na minha direção

Fugi para auto-caverna
Estou em recesso do mundo
Das pessoas

As pessoas me cansam
Saturam
Encharcam

Vazei os tanques de combustível dos meus olhos
Esvaziei o oceano
Drenei-o para dentro de mim a fim de completar meu estado de off

Guardo-me
Promovo minha autoextinção
Estou off

Resta apenas a fadiga.



Leia Mais
25 de setembro de 2014
Ninfo

Ninfo

por DanielaBdo


Ela terminou de tomar banho e foi se enxugar. A toalha passeava pelo corpo despreocupadamente quando o atrito entre as pernas a fez sentir algo mais. Não soube o que era na hora, não tinha maldade, apenas uma educação conservadora que não a deixava nem ver novela. Tinha nove anos.

Aos treze, procurando no dicionário o significado de uma palavra qualquer para concluir a redação da escola encontrou a palavra porra. Passou a procurar muitas outras do mesmo universo e descobriu que as palavras tinham o poder de atiçar a sua imaginação. Passava horas com o dicionário. 

Aos quatorze, menstruou e as colegas de sala, todas já mocinhas, disseram que agora ela já podia namorar. Não conseguiu associar uma coisa a outra, a mente ainda não tinha desencasulado, mas os livros de biologia falavam de hormônios e ciclo menstrual, gravidez e sistema reprodutor.

Aos dezesseis, beijou pela primeira vez, ela quem tomou a iniciativa, não aguentava mais esperar. Sentiu uma cosquinha boa na barriga, vontade de mais, de passar  a mão onde a vó desmaiaria só de pensar. Passou, gostou, repetiu. Aos 17, não era mais virgem.

Leu toda a literatura proibida antes de completar dezoito: Primo Basílio, O crime do padre Amaro, Lucíola, O cortiço e a obra completa de Jorge Amado. Decorou na teoria e se pôs a colocar na prática. Descobriu o corpo, suas entranhas e o pompoar. Tinha uma versão ensebada no Kama Sutra que levava dentro da mochila do colégio para o caso de surgir uma oportunidade para usar. E sempre surgia. E ela nunca dizia não.

Aos 23, descobriu a palavra ninfomaníaca, um amante lhe jogou na cara perversamente. Tirou a própria vida alguns minutos depois.
Leia Mais
11 de setembro de 2014
Apocalipse particular

Apocalipse particular


O fim do mundo já passou.

O fim do mundo aconteceu quando os renascentistas descobriram que a Terra não era redonda e que não era o centro do Universo. A igreja já sabia, mas fazia segredinho e quis calar a boca dos homens do Renascimento com veneno. Não deu certo! Cá estamos, Terra redonda, o Sol, outras galáxias e todos sobrevivemos, menos o Copérnico porque o mundo particular dele – esse sim – acabou!

O fim do mundo aconteceu quando a moça menstruou a primeira vez. Absorventes, espinhas, adeus bonecas, adeus jogar bola na rua porque dava varizes, adeus liberdade, adeus andar direito porque todo mundo sabia que ela estava “naqueles dias”. Como se o absorvente estivesse colado na testa, não na calcinha dela.

O fim do mundo também ocorreu quando a mulher, 30 anos, saudável, casada, linda e feliz ficou grávida. Ai, que susto! Mas logo passou, fez as contas das horas que passaria sem dormir, as fraldas que teria que trocar, as mamadeiras preparadas na madrugada, o resguardo, o enjoo, o cansaço, o parto – natural ou cesariana? –, o plano de saúde, a babá, o enxoval, o bercinho...  Mas, por complicações genéticas, o neném não veio. O mundo caiu para sempre!

O mundo acabou junto com o casamento mal-amado, a falta de olhar no olho, o sentimento pela metade, a roupa suja que deixou de incomodar, o cheiro no travesseiro que não interessava mais, as contas acumuladas debaixo do tapete junto com a poeira, o amor que virou sexo que virou obrigação que virou ausência de... Assim o mundo foi pelo ralo, os presentes do casamento pela janela e o amor descartado como um bicho morto que fede.

O mundo acaba todos os dias, sem nos perguntar se pode, sem querer saber dos nossos planos, dos nossos sonhos que adiamos infinitamente. O mundo acaba porque não prestamos atenção nele, pois isso dá muito trabalho. O mundo é simples e não conseguimos lidar com sua leveza, complicamos demais, racionalizamos demais ou de menos e esquecemos que o fim do mundo é inevitável.

Simples assim!

Leia Mais
24 de junho de 2014
Deslumbre

Deslumbre



por Emanoelli Farias

Outro dia, estudando ciências com meu filho mais velho, tive um encontro fulminante com minha ignorância. Estudávamos, mais ele do que eu, sobre as teorias geocêntrica e heliocêntrica. Enquanto preenchíamos uma cruzadinha com os grandes cientistas envolvidos nas descobertas, falei para ele que o sol era o centro do universo. Ah, tola! Como assim?

– Mãe, o sol não é o centro do universo. Ele é o centro da nossa galáxia. O universo tem várias galáxias, várias outras estrelas como o sol.

E eu, do alto do meu salto ingênuo de adulta que sou, tive que ouvir uma explicação objetiva e simples que contrariava a verdade engessada na minha cabeça por meus professores. Oh, modelo pós-ditadura em que estudei, não te acendo mais incensos!

Coincidentemente, vasculhando pela rede social mais utilizada nesses dias de 2014, deparei com uma cena linda. Era apenas mais uma bela fotografia. Aliás, hoje em dia, nessa linda era em que vivemos, todos somos fotógrafos – ou algo parecido com isso. No entanto, aquela não era apenas mais uma fotografia, era um retrato. E, cumprindo sua função tão única, retratava algo que eu nunca tinha visto: um pôr do sol de um eclipse.

Admiro a matemática, sou fã da física e encantada com a maneira de como os astros se organizam, mas não consigo acreditar que tudo isso, todo esse universo com suas estrelas, seu sóis, suas luas, seus planetas e buracos negros, seja mera obra do caos que, em algum momento, decidiu se organizar.

Há ali, sustentando essa coisa sobrenatural, tão magnífica de se ver, ou melhor, de se contemplar, uma centelha divina que manuseia tudo isso. Somos os famosos grãos de areia da música da Legião, a gota 
d´água. Somos aquilo tão insignificante e ao mesmo tempo tão lindo, pois temos a honra de participar dessa obra.

Não fui eu a fotografar o ocaso do eclipse – isso até daria o nome de uma bela canção ou mesmo de uma banda. Teria mesmo ficado lá, naquela praia em que o momento foi flagrado e morrido lenta e alegremente apreciando a vista e agradecendo o fato de ter sido testemunha daquele espetáculo.
Filho, contemplemos juntos o universo!


          
Leia Mais
19 de junho de 2014
D.R.* ao celular

D.R.* ao celular


por Emanoelli Farias


Há lugares em que se vê claramente estampada aquela figurinha proibindo o uso do celular. Teatro, cinema, posto de gasolina. Nem pensar em ligar na igreja ou num velório, tremenda falta de educação. Mas há lugares em que ele deveria ser recolhido na portaria, evitaria muito problema.

Dizem que ele veio pra aproximar as pessoas, mas eu tenho minhas dúvidas. O celular toca nas horas mais inapropriadas e nos lugares mais inconvenientes. O usuário que nunca foi flagrado pelo celular que atire a primeira pedra.

A mulher entrou no banheiro com o marido. Que fique claro, ele estava do outro lado da linha telefônica. Ela havia levantado rapidamente da cama redonda onde ficara o “outro”, tinha dito para o marido que iria ao cinema. Como uma boa mulherzinha, havia dito hora e local do cinema. Ele trabalhava por horas e não tinha tempo para averiguar, ela pensava. E justificava para si mesma a traição como um desleixo dele. Falta de atenção, de alguém para conversar, enfim, tudo o que só um amante pode dar a você...

– Oi, amorzinho, tá tudo bem? (...) É, isso mesmo, ainda estou no shopping. (...) Acabei de sair da sala de cinema. (...) O filme não é muito bom, não, falta uma certa continuidade e... (...) Ah... que horas eu vou pra casa? Nossa, amor, quanto controle, né? (...) Ahn? (...) Amor, tá cortando a ligação, o sinal tá horrível...

Desligou o telefone com a cara mais assustada que nunca havia imaginado fazer. Abriu a porta e falou para o amante:

– Meu marido disse que tá aqui na saída do motel!!!

E ele, covarde e medroso como todo adolescente despreparado para a vida:

– Eu vou sair correndo. Se minha mãe sabe disso!!! Ela me mata!!!

– Mata nós dois, querido, esqueceu que ela é minha melhor amiga... mas e meu marido, o que eu faço?!

– O mesmo que eu quando minha mãe descobre que arrombei a lata de leite condensado: nega tudo!! E tem mais eu... fui!!! –  e saiu correndo com as calças por fechar, a cueca de surfista aparecendo...

O celular tocando de novo... do assento do banheiro onde permaneceu desde o início da conversa, ela atendeu. Estava paralisada de medo, mas estava começando a enxergar uma luz no fim do túnel....

– Oi, amorzinho (...) Não, não fui eu que desliguei, foi você (...) Ah, não foi (...) Então, caiu, meu amor (...) Aqui no shopping o sinal é horrível (...) Claro que eu estou no shopping, amor (...) Não tem barulho? É que eu estou no banheiro (...) O filme... como é o nome do filme que eu vim assistir? Amor, que insegurança besta (...) Eu não minto pra você, aliás eu nunca menti (...) Ok, amor, desculpa te interromper, pode falar (...) Ai, amor era um nome em inglês, você sabe que eu nunca aprendi inglês, você pergunta só pra me humilhar (...) Não, amor, eu não estou ganhando tempo, nem mudando de assunto (...) Você me enche de pergunta e vou ficando nervosa (...) Você  está na saída do motel, que motel, meu amorzinho? (...) Esse motel em que eu estou? (...) Mas eu não estou em motel nenhum, amor, para de pensar besteira (...) Você viu uma mensagem no meu celular? Que mensagem, amor? Ai, amor, isso está ficando ridículo!! Olha, se você continuar desconfiando de mim isso não vai ter um final feliz, vou acabar achando que é você quem está me traindo (...) Amor, eu não estou virando o jogo (...) Ok, amor, e com quem eu estaria num motel? (...) Com o filho da Elzinha? Amor, ela é minha melhor amiga (...) Você viu a mensagem, ligou pro número e foi ela quem atendeu? Ah, vai ver ela está tendo um caso também (...) “Também”? Eu não disse “também”, amor (...) Ah, você tá gravando a ligação (...) Bom, então quer saber? Eu estou tendo um caso sim, com o filho da Elzinha sim, mas ela não sabe e se você contar nunca mais eu falo com você. Estou num motel sim, aquele que eu sempre pedi pra você me trazer e se você está na saída dele vai me ver sair daqui a pouco, quando eu pagar a conta com o SEU cartão de crédito (...) Por que eu fiz isso? Porque você me abandona pra viajar a trabalho, nunca me leva, não me deu os filhos que prometeu, aliás nem quer ouvir falar deles (...) Não, a culpa não é só sua, é minha também, pois eu deixei de me dedicar a mim mesma e passei a viver só a sua vida, os seus problemas, as suas vontades e as suas necessidades. Esqueci completamente que antes de você eu tinha uma vida profissional e pessoal. Estou completamente desnorteada, mas é culpa minha mesmo, você nunca me pediu nada disso. E agora eu vou desligar e você vai entrar aqui no quarto que eu estou pra gente discutir a nossa relação e ver se ainda sobra alguma coisa depois disso tudo (...) Amor, você está chorando? Oh, amor, não faz isso não (...) Vem logo pra cá, amor, eu também te amo e é o 512.

*: Discutir a Relação, aquela cosia chata que adoramos fazer e eles detestam... bom, nem sempre é assim...




Leia Mais
22 de abril de 2014
Sessão de terapia

Sessão de terapia


por Emanoelli Farias

Sabe-se que conversar com os botões é uma prática antiga e usual. Não se sabe se é uma prática mentalmente saudável considerando que os botões não respondem, na verdade não tendo boca nem ouvido como seria possível conversar com eles?

Verdade seja dita que do jeito que nós, mulheres, conversamos pelos cotovelos e joelhos, nada mais justo e agradável do que ter nossos próprios botões como interlocutores. Falar, falar e falar sem ninguém para nos dizer que estamos sendo chatas ou repetitivas ou “rodeando demais para chegar ao assunto”. Enfim, o melhor amigo da mulher é o botão. E foi no banheiro do buffet que começou a amizade, ele lá distraído e ela sozinha, arrependida pelo tanto que tinha comido...

É... você fica aí me olhando com essa cara de “socorro, eu não aguento mais segurar a barriga dessa gorda!!!” Podia pelo menos me dar um conselho. E aí, o que você acha? Vomito ou não vomito? Eu não sou tão gorda assim, você está me conhecendo agora, fiz esse vestido só pra essa festa, mas é que eu comi demais, estou ansiosa, sabe?! Eu como a minha ansiedade, aí dá nisso. Estou pensando em começar a vomitar quando eu comer assim, mas tenho medo de virar anoréxica. Acho horrível gente muito magra, mas também uma gordinha como eu ninguém merece!!! Roupa nenhuma fica bem em mim, tudo aperta, marca, fica a banha pulando prum lado e pro outro, calça de cintura baixa nem pensar. Só tenho 19 anos, mas me visto feito uma velha, as roupas todas frouxas pra não marcar a barriga, saia comprida pra não aparecer as celulites. Se bem que mulher magra também tem celulite, né?! Vejo umas na praia, sabe? Fico olhando todo mundo antes de ficar de maiô. Eu só uso maiô, meu último biquíni vesti quando tinha 7 anos. Mas daí eu olho aquela monte de menina bonitinha desfilando na praia e fico morrendo de vergonha, além de gorda fico branca feito o Gasparzinho. Pareço uma tapioca, branca e redonda.

Mas então, eu vomito ou não? Dói, sabe?! A garganta. Mas é claro que você não sabe, não tem garganta. Mas a verdade é que dói, dá uma sensação tão ruim, além disso tem o gosto amargo que fica na boca. Eca, que horrível, deu vontade de vomitar só de lembrar. Mas não tem outro jeito de não continuar balofona, dieta eu não consigo fazer, comer folha? Não sou nem camaleão!! Remédio? Nem pensar, tenho medo de ficar dependente, já pensou que mico?  Eu, numa clínica de desintoxicação? Que medo! Tem a academia, né? Mas dá uma preguiça, tomar banho pra ir, tomar banho depois que chega... além do mais já reparou que só quem vai pra academia são as gostosas? O que elas estão fazendo lá? Humilhando pessoas como eu. Vê se tem lógica eu pagar pra ser humilhada? As pessoas já fazem isso de graça comigo, melhor gastar dinheiro com outras coisas... sonho, brigadeiro, quindim, pudim, filé a parmegiana, sanduíche do Mc Donald´s, só coisa gostosa!! Percebeu que tudo que é gostoso é super calórico? É, porque nem venha me convencer que alface é uma coisa gostosa, nem você se convence disso. Rúcula, peixe grelhado, filé de frango na chapa, isso é comida de gente triste, infeliz, desorientada. Aliás, desinformada, não sabe nem onde estão as coisas boas da vida.

Quer saber, meu amigo, não vou vomitar coisa nenhuma e ainda tem um monte de docinho bonitinho e gostoso lá fora pra eu comer. Foi bom conversar com você, espero encontrá-lo mais vezes, foi esclarecedor e animador. Estou me sentindo tão bem, tão leve... quer dizer, leve nem tanto, afinal eu nem vomitei, graças a você, e estou me sentindo ótima por isso.  Tchau!

Leia Mais
8 de abril de 2014
Crise pós-separação

Crise pós-separação


por Emanoelli Farias

Todo mundo sabe que mulher nunca vai ao banheiro sozinha. Ainda não descobri se isso é um hábito social ou cultural, mas não vem ao caso, o que realmente importa é a variedade de assuntos que podem ser discutidos numa simples ida ao banheiro a duas, ou a três. Do ménage a trois – fazer ou não fazer eis a questão – até a pensão alimentícia dos filhos.

Eis que:

– Aquele desgraçado me deixou com uma mão na frente outra atrás, acredita?

– Nem vem... ele era tão mão aberta....

– Era, minha filha, era. Pois fique sabendo que ele agora deu para se recusar a pagar meu cartão de crédito. Resultado: menos gasolina, menos salão, menos shopping... ai, amiga, estou tão estressada, acho que estou com... com... Como é mesmo o nome daquilo? Síndrome do pânico, é? Acho que vou processá-lo por isso, deve dar uma grana, né?

– Estresse, o nome disso é estresse, mas é de não poder mais ir ao shopping com o dinheiro dos outros. O nome disso é desocupação aguda crônica. Amiga, você tem diploma superior... Valorize-se...

– Ah, mas é tão complicado. Como eu vou trabalhar? Há anos não faço isso, nem sei por onde começar...  Além do mais tem as crianças...

– Crianças? Que crianças? O Armandinho já está até comendo as menininhas, todo mundo comenta no colégio, e a Catarina, pelo amor de Deus, ela já faz faculdade.... Está na hora né, amiga, bola pra frente.

– Olha aí, tá vendo? O moleque faz isso por causa do mau exemplo do pai, ai, meu Deus, meu filho tá na boca do povo!!!!!

– Ele faz isso por causa dos hormônios, já estava na hora, e é bem melhor do que usar drogas. E o pai dele, ah, o pai faz o que quer, quem não pode fazer é a mãe.

– Tá vendo, é o que eu digo, eu sofro tanto... até hoje não tenho namorado e ele lá com aquela “zinha”.

– Nem comece com essas suas crises de auto piedade. Além do mais você sempre namorou, pegou cada surfistinha, alguns da idade do Armandinho, hein? Eu lembro bem daquele que você conheceu em Flexeiras.... Como era o nome dele? Gustavo!! Isso mesmo, ele te fez um belo tratamento de pele, eu lembro bem... está vendo, amiga, você pode ser diferente, você é um mulher inteligentíssima e bonita. Está precisando malhar um pouquinho e atualizar o currículo, só isso. E vamos que eu já retoquei o batom 5 vezes.

– Você me ajuda? A procurar um emprego?

– Ajudo. Vamos...

– Ajuda a procurar uma academia?

– Ajudo sim, te levo na minha, mas não conta pra ninguém que eu faço...  Vamos.

– Só mais uma coisa, me ajuda a usar o Word? É pro currículo...

– Ok, ok. Te levo também no meu curso de Kama sutra, mas agora vamos...



Leia Mais
Copyright © 2012 LiteraturaBr All Right Reserved
Designed by Bravo WebDesign | CBTblogger