Deslumbre
por Emanoelli Farias
–
Mãe, o sol não é o centro do universo. Ele é o centro da nossa galáxia. O
universo tem várias galáxias, várias outras estrelas como o sol.
E
eu, do alto do meu salto ingênuo de adulta que sou, tive que ouvir uma
explicação objetiva e simples que contrariava a verdade engessada na minha
cabeça por meus professores. Oh, modelo pós-ditadura em que estudei, não te
acendo mais incensos!
Coincidentemente,
vasculhando pela rede social mais utilizada nesses dias de 2014, deparei com uma
cena linda. Era apenas mais uma bela fotografia. Aliás, hoje em dia, nessa
linda era em que vivemos, todos somos fotógrafos – ou algo parecido com isso.
No entanto, aquela não era apenas mais uma fotografia, era um retrato. E,
cumprindo sua função tão única, retratava algo que eu nunca tinha visto: um pôr
do sol de um eclipse.
Admiro
a matemática, sou fã da física e encantada com a maneira de como os astros se
organizam, mas não consigo acreditar que tudo isso, todo esse universo com suas
estrelas, seu sóis, suas luas, seus planetas e buracos negros, seja mera obra
do caos que, em algum momento, decidiu se organizar.
Há
ali, sustentando essa coisa sobrenatural, tão magnífica de se ver, ou melhor,
de se contemplar, uma centelha divina que manuseia tudo isso. Somos os famosos
grãos de areia da música da Legião, a gota
d´água. Somos aquilo tão
insignificante e ao mesmo tempo tão lindo, pois temos a honra de participar
dessa obra.
Não
fui eu a fotografar o ocaso do eclipse – isso até daria o nome de uma bela
canção ou mesmo de uma banda. Teria mesmo ficado lá, naquela praia em que o
momento foi flagrado e morrido lenta e alegremente apreciando a vista e
agradecendo o fato de ter sido testemunha daquele espetáculo.
Filho,
contemplemos juntos o universo!

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