Ninfo
![]() |
| por DanielaBdo |
Ela terminou de tomar banho e foi
se enxugar. A toalha passeava pelo corpo despreocupadamente quando o atrito
entre as pernas a fez sentir algo mais. Não soube o que era na hora, não tinha
maldade, apenas uma educação conservadora que não a deixava nem ver novela.
Tinha nove anos.
Aos treze, procurando no dicionário
o significado de uma palavra qualquer para concluir a redação da escola
encontrou a palavra porra. Passou a procurar muitas outras do mesmo universo e
descobriu que as palavras tinham o poder de atiçar a sua imaginação. Passava
horas com o dicionário.
Aos quatorze, menstruou e as
colegas de sala, todas já mocinhas, disseram que agora ela já podia namorar.
Não conseguiu associar uma coisa a outra, a mente ainda não tinha
desencasulado, mas os livros de biologia falavam de hormônios e ciclo
menstrual, gravidez e sistema reprodutor.
Aos dezesseis, beijou pela primeira
vez, ela quem tomou a iniciativa, não aguentava mais esperar. Sentiu uma
cosquinha boa na barriga, vontade de mais, de passar a mão onde a vó
desmaiaria só de pensar. Passou, gostou, repetiu. Aos 17, não era mais virgem.
Leu toda a literatura proibida
antes de completar dezoito: Primo Basílio, O crime do padre Amaro, Lucíola, O
cortiço e a obra completa de Jorge Amado. Decorou na teoria e se pôs a colocar
na prática. Descobriu o corpo, suas entranhas e o pompoar. Tinha uma versão
ensebada no Kama Sutra que levava dentro da mochila do colégio para o caso de
surgir uma oportunidade para usar. E sempre surgia. E ela nunca dizia não.
Aos 23, descobriu a palavra
ninfomaníaca, um amante lhe jogou na cara perversamente. Tirou a própria vida
alguns minutos depois.

0 comentários:
Enviar um comentário