A cura, de Pedro Eiras
por Ana Marques Gastão
Lisboa,
Quidnovi, 2013
Freud, numa carta ao pastor Oskar
Pfister (25 de Novembro de 1928), escreveu que queria proteger a psicanálise dos
médicos e sacerdotes, ele que considerava o Deus monoteísta uma ilusão, assente
na necessidade infantil de um pai. Desejava, por isso, e situemo-nos naquela
época, entregar a análise a uma categoria de homens ainda não existente, mas
aos quais deu o nome de «curas seculares da alma» que não necessitavam de ser
médicos e não podiam ser sacerdotes. Em A
Questão da Análise Leiga (1926), o «pai da psicanálise» afirmara-se como um
defensor da prática da sua «ciência» por não-médicos, e não apenas por
psiquiatras. Quanto à religião, comparava-a, em «Actos Obsessivos na Prática
Religiosa» (1907), a uma neurose obsessiva. Totem
e Tabu (1913) e Moisés e o Monoteísmo
(1939) esclarecem-nos, por outro lado, que o psicanalista considerava a
religião um «problema humano» da maior relevância.
Na verdade, Freud era um herdeiro
dos pensadores das Luzes do século XVIII – e do Feuerbach de A Essência do Cristianismo –, não
deixando de investigar a psicogénese das religiões. Relembre-se que, em 1910,
sublinhava numa carta a Jung, então ainda seu amigo e discípulo, que a razão
última da necessidade de religião seria o espinhoso «desamparo infantil» que
levaria os homens a inventar «um Deus justo e uma natureza boa». As doutrinas
religiosas permitiriam, pois, que o crente tomasse os seus desejos por
realidades, substituindo a neurose pela ideia delirante.
No prefácio a O Futuro de uma Ilusão (1927),
Jacques André[1]encara
a religião como psicótica ou neurótica, filha do complexo paternal. Muito pouca
coisa a distinguiria da alucinação: a religiosidade tenderia a restaurar, sob
forma alucinatória, o narcisismo ilimitado correlativo do sentimento de
impotência da criança. O pai da psicanálise havia mostrado – assimilando,
sobretudo no aspecto da ordem clássica, o teatro grego, bem como as lições de Shakespeare
– que só o autoconhecimento concederia ao ser humano o domínio sobre si mesmo, tendo
o inconsciente, nesse processo mental, uma influência determinante, entre
outros aspectos, por meio da acção dos actos falhados, dos sonhos, etc.
Escavou-se muito depois de Freud, para
bem ou para mal, nesta e noutras direcções. A tradição budista – na luta pela
«atenção perfeita» como meio de desvendamento da consciência – e, de outro
modo, o cristianismo primitivo, praticavam, no entanto, há séculos a
autoanálise na senda do combate contra a ignorância e o desejo (paixão) por ela
causado. Neste caso, poderíamos definir ignorância pela tentativa repetitiva de
transformação do transitório em eterno/absoluto. Estaríamos não necessariamente
perante uma ausência de conhecimento, mas diante de um conhecimento falso, uma
autovigilância mal dirigida.
Relembre-se a mística de introversão
defendida pelos escritos gnósticos, documentos revolucionários no seu empenho
pela liberdade interior. Filipe considerava a ignorância escrava e a gnose
liberdade. Escreve-se, por outro lado, no
Evangelho de Tomé: «O reino está dentro de vós e está fora de vós. Quando
vos chegueis a conhecer a vós próprios[2],
então sereis conhecidos e sabereis que vós sois os filhos do Pai vivente. Mas
se não vos conhecerdes, então ficareis na pobreza e sereis a pobreza.» Algo de
semelhante se anuncia, em defesa da harmonia e da elaboração espiritual e
intelectual, em o Diálogo do Salvador:
«A lâmpada do corpo é a mente. Enquanto o vosso interior estiver em ordem, os
vossos corpos serão luminosos».
Freud havia, consumado, porém, de forma
radical, a cisão entre a experiência religiosa – que identificou com uma credulidade
edipiana – e a psicanálise. Somos, na verdade, de acordo com as (des)crenças de
cada um, actores de um ritmo cósmico dominado pela separação: da nossa hipotética
origem divina, para alguns, ou de um Outro. É por se existir enquanto ser
separado que se procura a completude no reencontro simbólico com o pai e a mãe
numa perenidade (ressurreição) de ordem imaginária. Eis como o pé se atreve a pousar
em terrenos aparentemente opostos, pois, em ambos os casos, se deixa agir a
PALAVRA, sabendo nós que os pais aparecem, segundo Deleuze e Guattari, na
«superfície de registo da produção desejante» e que «a criança é um ser
metafísico».[3]
O inconsciente continua na realidade por explorar, do ponto de vista
científico, e desconhece-se, por outro lado, quais são os mecanismos colectivos
que sobre ele incidem.
O inconsciente é órfão ou tem um Deus?
Freud ou Jung? Nenhum dos dois? Ambos?
A Cura,
de Pedro Eiras, dir-se-ia um romance situado nessa fronteira – fé e psicanálise
– e emprega uma linguagem despretensiosa e subterraneamente erudita, veloz.
Claro, inquietante, enigmático na sua tendência pensante, o enredo, de
propensão acentuadamente afirmativa e não menos irónica, mesmo na polemicidade
de certas sentenças, dá-nos a ver, pela mão de um ensaísta e dramaturgo
argutos, a fertilidade literária que a psicanálise detém desde Freud ao
colocar-nos tanto perante a dialéctica entre razão/coração, como perante o risco
da criação de um Significante despótico. O discurso analítico, dito de
associação livre, não é apenas intelectual, mas implicitamente afectivo. E não
deixa de ser ilusório, mas de uma forma epistemológica, terapêutica, porque permite
o suporte de uma viagem, a da vida.
A narrativa centra-se num fulcro de
personagens principais: o narrador, psicanalista, a companheira deste, e alguém
que se faz analisar pelo primeiro. Essa figura – pasme-se a ousada inverosimilhança
– é o Papa. Oscilamos, neste romance, entre verdade e incerteza, pergunta e não
resposta, divã e confessionário, sabendo que só a angústia e a escuta os ligam.
A improbabilidade irreverente da história conduz-nos a um labirinto de
interrogações perante o absurdo e a eventualidade de qualquer dos terrenos, religioso
ou psicanalítico, ser totalitário. Na demanda de uma escuta (seja no divã, seja
na confissão) e da procura reconstrutiva de um Eu fragmentado, ainda que
parcialmente ficcional, o analisando não pede absolvição, ou se a pede, não lhe
é dada, mesmo que o seu terapeuta se considere todo-poderoso. Não é disso que se trata, mas de deixar actuar a
palavra verdadeira (quem sabe ilusória), individual e transindividual.
A psicanálise, por meio da representação
das palavras, das coisas ou dos afectos, faz recuar o analisando a um lugar esquecido
ou recalcado, obrigando-o a um caminho de lucidez e inteligibilidade. Não é uma
ciência, nem uma técnica, mas usa os seus instrumentos, dir-se-ia uma
experiência de amor ou, ironizando, algo parecido com a limpeza de uma chaminé,
chimney sweeping, citando o terrível performer Lacan. Nesse enlace de
subjectividades, que exige uma ética entre psicanalista e analisando, decorre A Cura, narrativa na qual desejo e sonho
são personagens. Pelo romance passam também a pulsão de morte (que sustém o
desejo de agredir, de fazer mal ou «me fazer mal») ou, nas representações
psíquicas, a sexualidade recalcada (a infantil, por exemplo, em diálogo com a
coisa narcísica e o desejo de extinção da líbido). Nesses domínios, também no
da perversão, a arte e a literatura antecederam em muito a psicanálise.
Pedro Eiras trabalha, ainda do ponto de
vista satírico, o sonho ou a sua interpretação, quase indiscreta, no diálogo entre
psicanalista e analisando (o Papa) de uma forma lúdica, mostrando-nos que
sonhar não é o resultado da continuidade claramente lógica ou emocional dos
acontecimentos da vida, mas o resíduo de uma curiosa actividade psíquica exercida
durante o sono. Ou será o sonho arquetipal (oriundo da ideia de imago), como defendeu Jung, forma de
representação simbólica partilhada com a arte e a mística? A Cura faz-nos reflectir sobre a possibilidade de uma continuidade
para trás, na direcção de um passado reelaborado pelo sujeito desejante numa
demanda de análise. O sujeito do inconsciente descobre no divã, em diálogo com
um outro, o que subsiste de ilusório na relação narcísica a partir da qual se
trabalha a perda, a melancolia, o desejo. A narrativa decorre, desse ponto de
vista, de modo frenético, assumindo o psicanalista um papel dogmático e
mascarado em relação ao seu próprio Eu, nomeadamente na relação amorosa com a
mergulhadora Rita, imersa num mar melancólico que se transforma em visão.
O relato, recheado de matéria religiosa
e psicanalítica, não alheio também a um certo sado-masoquismo, contém vários
graus que vão de uma agressividade entre analista e analisando, à admiração, à
dúvida, à contradição, à dissimulação e à dependência. Trata-se de encontrar na
sombra a luz, a coisa especular, ou melhor, uma «dramaturgia invisível», como
lhe chamou Julia Kristeva, que poderíamos considerar um motor mobilizador da
inteligência-corpo de dois neuróticos, neste caso com a problemática de Deus
latente. Ambos os mundos são abrangidos, um deles, o do terapeuta, de forma
necessariamente recolhida e, a maior parte das vezes, oculta, algo que não
sucede em A Cura, estratagema decerto
usado para salvação da narrativa. Nesta relação transferencial acontece o que a
escritora e psicanalista reclama de «excesso aparente da palavra amorosa», de «efusão
sentimental histérica» ou de «angústia catastrófica e fóbica do abandono».[4]
Dir-se-ia ia, no entanto, a desordenação angustiada de uma carência de amor de
um sujeito in progress, mesmo disfarçada,
que conduz à demanda de análise. Pela mão da palavra interpretativa passam ligações
intersubjectivas, inscrições arcaicas de um pré-sujeito, fantasmas, fantasias,
que, pelo despertar da imaginação, destapam monstros e os esclarecem.
Em A
Cura, a interpretação é personagem principal. Trata-se de regressar ao que esquecemos,
como se afirma no romance, e de conduzir o que seremos. Curiosamente, o Papa
resiste a deitar-se no divã e ambas as personagens parecem detentoras da
verdade absoluta, entre outros assuntos, no que se refere ao erotismo, à
sexualidade, à fé. A fala torrencial do terapeuta ajuda à dramaturgia (ou não
fosse Pedro Eiras um autor de teatro), retirando-lhe, todavia, alguma verossimilhança,
bem como a crueza do silêncio presente em qualquer análise. Jamais um
psicanalista falaria tanto – ou então seria um mau psicanalista –, nem
sentenciaria os dotes do seu saber, algo a ler como provocação irónica
deliberada: «A psicanálise diz mesmo…», «a psicanálise ensina…», etc. O Papa não
é, por outro lado, um ser assexuado. A transcendência pode ser parte integrante
da personalidade de um analisando convicto (não por acaso o Apocalipse é citado
várias vezes em sinal de revelação), como o erotismo existe nos mais belos
textos da tradição mística, do Cântico
dos Cânticos a Santa Teresa D’Ávila, bem como na escrita barroca a lo divino de que o teatro e a poesia
de Soror Maria do Céu são um exemplo notável.
É a questão da hipotética conciliação
entre fé e psicanálise, entre literatura e psicanálise, a conduzir a acção. O
interdito funciona, por outro lado, como nó
do problema do enredo: deseja-se a idealidade (da paixão), a paz desviada,
mas o processo de autoconhecimento tem obstáculos, brechas que vêm ao de cima
no enredo. O fluxo caótico da consciência dá-se bem com a ilusão, tanto no
papel como no divã, sendo a melancolia uma mola de arranque para uma narrativa mental
constituída no processo analítico como uma escrita, o que não significa que
estejamos perante literatura.
Um escritor pode ser ou ter sido um analisando,
mas jamais a escrita se define como uma forma completa[5]
de psicanálise, único método a reivindicar o inconsciente e a sexualidade
como os dois únicos universos da subjectividade humana. A literatura não pode
ser considerada um método psicoterapêutico, embora surja, por vezes, de um
processo catártico (purga ou descarga emocional): funciona sem o elemento
dialógico e o lugar transferencial, sem a análise didáctica. O autor não vive
dentro de uma «clínica de escuta» de supressão de resistências, nem é
necessariamente um neurótico. Escreve só, sem a desmontagem possível num divã e
sem Édipo como um Deus.
Nem a neurose nem a psicose são, por
outro lado, meramente explicáveis por um Édipo – a psiquiatria e a neurologia
evoluíram para fora do território «papá-mamã», que possui também os riscos de
um totalitarismo da influência. O esquizo, como afirmam Deleuze e Guattari, faz
a viagem da intensidade e em intensidade. Escrevem: «Esses homens são como
Zaratustra: atravessaram sofrimentos inacreditáveis, vertigens e doenças. Têm
os seus espectros e têm de reinventar todos os gestos».[6]
São domínios que parecem quase indistintos
na teoria de Julia Kristeva, os da literatura/filosofia e da psicanálise, mas
não o são, neste romance também não, embora a ensaísta afirme que a «verdade
analítica» está mais próxima da ficção
narrativa do que do discurso da fé.[7]O
processo de escrita, que lida também com a perda, a separação, o limite, a
fronteira entre Eu e o Outro, tem necessidade de abrir espaços até para se
contradizer, como este livro o demonstra: é essa a sua liberdade, vivacidade e
violência. A literatura transfigura, a psicanálise elabora, transforma. Na
impossibilidade de preenchimento dos vazios e enquanto fundador de narrativas
simbólico-imagéticas, o escritor dir-se-ia um excelente exemplo da recriação de
um Eu sublimado, o que não deixa de ter conotações fáusticas, mas não pode ser
entendido – mesmo sendo um erudito na matéria – como um sujeito em ou de
análise. Na literatura, usa-se a metáfora; na psicanálise a metáfora desmonta-se,
até porque amiúde o sofrimento se prende ao corpo que somatiza. Podem, contudo,
completar-se, libertando o que é da arte de sempre por meio da experimentação
desejante na estranheza de um Eu arcaico.
Jamais a psicanálise pode ser considerada
uma mera aventura intelectual e, se por aí passa (como acontece nesta narrativa
em certos momentos), é para a desfazer, já que as desordens da imaginação – que
combinam sistemas de representação transversais da linguagem – vão
transformar-se, no caso de estarmos perante um transfert positivo, num discurso
em acto. Não se trata de uma ciência, a psicanálise, mas de um saber, que
usa as regras clássicas da epistemologia científica e a que não faltam técnicas
terapêuticas. Não há cura, mas emergência de um sujeito de interpretação a
partir da indagação no território do desejo mediado por um analista.
A psicanálise constitui, na verdade (com
a linguística e a sociologia), e na sequência da separação feita em relação a um
vasto continente teológico operado depois de Descartes, uma aproximação
racional ao comportamento humano e às significações enigmáticas e
contraditórias que lhe são próprias. Freud arredou-a da psiquiatria porque ela engloba
um domínio que pode ser considerado «irracional» ou arriscar-se a dar o salto
para o «sobrenatural», se evocarmos os estudos de Jung. Cristo é, na opinião do
autor de Psicologia e Alquimia, o
símbolo do Eu ou vice-versa, ilustra o arquétipo do Eu. Transfert e contra-transfert estabelecem-se,
portanto, neste caso, no âmbito da palavra mais do que partilhada, transmutada.
A Cura passa
por aí, pelo diálogo entre o Papa e o psicanalista, ficando o leitor situado não
apenas no esquematismo da vulgata analítica: complexo de Édipo, pulsão de
morte, líbido, etc... Atravessa-se para o lado de lá – transcendência e
literatura. Freud assinalou que esta ultrapassou, tantas vezes, a psicanálise
ao tocar aquilo que Blanchot chamou de interdito impronunciável. Pedro Eiras
envolve-se na tarefa árdua de tentar entender qual a relação entre a linguagem
e o mundo: segue o caminho da imaginação. Imaginar é trazer a nós as coisas na
sua ausência, tarefa do romancista. A imaginação poderia definir-se como uma coisa
mágica que faz aparecer o que não está lá, tentando roubar a luz ao escuro,
sublimando. E sublimar vem de sublime – o que demonstra a inatingível beleza e perfeição que ultrapassam o humano:
dir-se-ia um mecanismo de defesa pelo qual a
energia psíquica negativa se move num sentido da menor dor.
Se formos na linha da nossa angústia,
desse humor do Outono e da Terra, mórbido e paralisante, dessa «felicidade de
se estar triste», como escreveu Victor Hugo, lentificamos a nossa acção, mas se
usarmos a FORÇA, alterando, de algum modo, os dados da nossa experiência
temporal, indo contra o fluxo escuro, dá-se a sublimação. Nesse quadro, a
escrita nasce, tantas vezes após um longo processo analítico como uma verdade dinâmica que põe em
contacto a história de um transfert permanente entre o
domínio da patologia e o do espírito. É isso que o psicanalista deste livro,
que surpreendentemente se torna monge, tentará fazer – uma autobiografia, um
«exercício espiritual libertador».[8] Não por acaso o Papa-analisando,
diz : «O Senhor Doutor considera que eu tenho uma neurose. Eu considero
que tenho temor a Deus. Para que havia eu de curar aquilo que me alimenta?»[9]
A frase
poderia ter sido escrita – em território outro – por Foucault que considerou a
neurose constitutiva. Na verdade, a intensidade do
relacionamento do ser humano consigo próprio, enquanto objecto de conhecimento
e de criação artística e literária, foi-se tornando numa forma de construção
motivada pela sua quase impossível superação. O analisando é sempre aquele que
não sabe o bastante, alguém que balança na corda da impermanência e duvida, algo
que o Papa, neste romance, parece, em certos momentos, recusar. Inusitadamente,
há como uma inversão dos papéis. Ambas as personagens despertam para um autoconhecimento,
mas digamos que o Papa se detém perante uma impossibilidade, a de não poder
prosseguir a análise por estar convicto da sua fé, suspendendo o seu processo
reelaborativo enquanto ser de linguagem. Talvez lhe bastasse o silêncio
interior e a inserção num edifício religioso, a Igreja.
O Papa não é apenas um homem de fé, mas
de religião. Decide, por isso, neurótico ou não, abandonar a análise, mas não
sem ir em busca da ovelha extraviada que acaba por vestir o hábito de monge. O
psicanalista, que se encontrava encerrado na sua torre intelectual e
discursória, dá uma volta de 180 graus, tomando o Papa como um pai simbólico e
encaminhando-se para outra «verdade». O fecho do romance determinaria, na visão
de Freud, a vitória da alienação, já que este considerava haver uma similitude
entre fé e obsessão neurótica, religião e neurose colectiva. Para a Igreja,
seria o triunfo da fé. Essa dubiedade permite-a a literatura.
O inconsciente tem razões que a razão
desconhece…
[1]Sigmund Freud, L’Avenir d’une illusion, PUF, 2004.
[2] Sublinhado meu.
[3] Gilles Deleuze e Félix Guattari, O Anti-Édipo – Capitalismo e Esquizofrenia 1, Lisboa, Assírio &
Alvim, trad. de Joana Morais Varela e Manuel Maria Carrilho, 2004, p. 50-1.
[4] Julia Kristeva, Au
commencement était l’amour – psychanalyse et foi, suivi de «À propos de l’athéisme de Sartre», Paris, Hachette, 1985, p. 13.
[5] Sublinhado meu.
[6] Gilles Deleuze e Félix Guattari, ibid., p. 136.
[7]Julia Kristeva, ibid., p.
35.
[8] Pedro Eiras, A Cura, Lisboa,
Quidnovi, 2013, p. 227.
[9] Idem, ibid., p. 203.


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