ROXO-MUNDO, novo conto de Alex Costa
A
comparação com os giz de cera foi imediata: como era colorida a roda-gigante!
Era um sábado de aniversário, era Miguel fazendo seis aninhos.
-
Olha, pai... depois a gente pode ir naquele? – mirava um brinquedo chamado
espalha-brasas.
-
Sim, podemos. Mas segure a minha mão! Pare de querer correr, Miguel. Não vai
ser fácil te procurar aqui, no meio dessa multidão, danadinho.
O
menino Miguel, de tão hesitado com o brilho das cores e o funcionar dos
brinquedos, parava de quando em vez só para dar uns pulinhos de felicidade e
agarrar-se à perna do pai, agradecendo pela promessa cumprida.
-
Olha a baaaaaa-la-la-la-la-la! – era o palhaço Defim, vendedor de balas e
algodão doce.
-
Pai, quero uma bala, dessas de mastigar. – ganhou duas, porque era seu
aniversário.
O
resto da noite foi um corre-corre pr’ali, um “agora nesse aqui” que não acabava
mais. Até que o cansaço foi chegando, as pernas ficando esmorecidas, os olhos
pesando de sono. A volta pra casa foi um resumo da maravilhosa noite no parque:
“o mais legal foi aquele que girava bem rapidão, né, pai?” – e as risadas de
Seu Abílio, afagando os cabelos em cachinhos do pequeno Miguel. Ao chegar em
casa:
-
Agora é tomar banho e ir dormir, viu, mocinho! E não se esqueça de escovar os
dentes... mas antes cuspa fora esse chiclete, vai acabar estragando os dentes,
rapaz! – Miguel queria saber se era diferente ou não o gosto do segundo
chiclete, que guardava no bolsinho da camisa.
Um
beijo na testa. Um boa-noite. O cuidado em distribuir bem a coberta para
proteger do frio o filhinho querido.
Três
e quarenta da madrugada. Duas tosses secas e a procura de ar:
-
É o Miguel, vai lá olhar o que foi – disse dona Giselda, empurrando a cabeça do
marido.
-
É nada não, criatura. Criança é assim mesmo, sempre tosse depois que se dana
muito.
O domingo amanheceu nublado, de luto pelo embrulhinho roxo que amanheceu onde Miguelzinho dormiu e não mais acordou.

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