Poetizando São Paulo, o universo dos saraus ( Por Isadora Vitti )
Já
disse Charles Bukowski que um
bom poema pode
fazer uma mente despedaçada voar. E não foi só ele. Fernando
Pessoa, Machado de Assis, Clarice Lispector… São vários os
escritores que escreveram sobre a arte e a satisfação de fazer
poesia.
Mesmo assim, às vezes ela parece distante, presente apenas em livros
antigos ou em ares bucólicos, como os de Alberto Caeiro. Poesia na
caótica e turbulenta São
Paulo?
Impossível! Para desmitificar esse pensamento geral e provar que a
cidade é muito mais poética do que se pode imaginar, o Blog da Jota
visitou 4 saraus
de poesia.
É hora de tirar aquele seu poema empoeirado da gaveta!
Casa do Poeta Lampião de Gás
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| O sarau Casa do Poeta Lampião de Gás é o mais antigo de São Paulo. Foto: Isadora Vitti |
Sarau do Burro
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| No Sarau do Burro os jovens sentam em roda como em uma conversa. Foto: Divulgação |
Em
uma famosa galeria da Vila Madalena, vários jovens se
reúnem para declamar poesia. É o Sarau
do Burro,
fundado em 2009 e maestrado pelo poeta Daniel Minchoni. Os jovens
recitam sentados no chão, em roda, como em uma conversa. Um tema
emenda o outro e não há problema em errar o verso ou esquecer a
estrofe. O clima é animado, todos os jovens eufóricos com a poesia.
Há vários poemas de engajamento
politico e
social, que trazem à tona as diversas mazelas da sociedade, como
racismo e desigualdade social, mas também outros temas como amor,
sexo e casamento. Tudo bem variado
e imprevisível,
depende de onde o diálogo poético levar. Onde: Rua Harmonia,
nº 95- Vila Madalena. Galeria A7MA Quando: Primeira terça do
mês, às 20hs.
Casa das Rosas
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| A Casa das Rosas possui tipos de recitais e saraus para todos os públicos. Foto: Isadora Vitti |
E
não tem como falar de poesia sem falar na Casa
das Rosas.
A Casa das Rosas foi inaugurada como espaço
de arte e cultura em
1991, com o nome de “Mansão Casa das Rosas- Galeria Estadual de
Arte”. Somente em 2004, modificou-se para “Espaço Haroldo Campo
de Poesia e Literatura”. Ao longo de sua jornada poética, ela cada
vez mais se
diversifica:
“O público é bastante variado”-diz o supervisor cultural da
Casa, Daniel Moreira- “Recebemos cerca de 10 mil pessoas por mês,
60% nos finais de semana. Mas os números variam muito de acordo com
o evento”. Para abranger todos os públicos, a Casa têm diferentes
tipos de recitais e saraus.
Os recitais são fechados e as pessoas que se apresentarão são
definidas previamente. No recital “O que é poesia?”, que
acontece mensalmente, um convidado bate papo sobre sua relação com
a poesia. Em maio o convidado foi Sérgio Vaz, um dos curadores da
Cooperifa. Os saraus são abertos e qualquer um pode se inscrever. A
Casa também organiza saraus
infantis e
para o público mais jovem,
misturando rock, rap, tudo bem diversificado. Porém, 3 são fixos.
Dentre eles está o “A plenos pulmões”, que acontece mensalmente
com a curadoria de Marcos Pezão, e engloba todos os tipos de
público. Além disse, ele também contempla aliteratura
periférica,
que vêm crescendo e expandindo cada vez mais o movimento poético.
“Atualmente há cerca de 100 saraus por mês na cidade”, diz
Daniel. Além dos espetáculos, a Casa também
ofereceexposições variadas
sobre poesia e cultura, palestras
e oficinas.
Sarau do Binho
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| No Sarau do Binho não valorizam apenas a contemplação da poesia, mas a reflexão e a ação a partir dela. Foto: Divulgação |
Por
último, um dos saraus mais conhecidos da cidade de São Paulo. Até
2012, ele acontecia no Bar
do Binho,
no Campo Limpo, até que a prefeitura fechou o estabelecimento por
falta de alvará de funcionamento e impôs uma multa de R$8.000 O
caso teve grande repercussão e para sanar as dívidas e dar
continuidade ao sarau, foi criado um projeto no Catarse, que
recebeu apoio
e mobilização coletiva,
conseguindo o dinheiro necessário para pagar a multa. O Sarau
do Binho é
um importante meio de contestação
social,
não só por mostrar a força e riqueza dos movimentos culturais da
periferia, mas também como forma de reivindicação- a poesia pela
luta e pela mudança. É como disse Binho em entrevista para o blog
Balaio Cultural, em 2012: “O sarau também pedeações.
Não é só poesia pela contemplação. A nossa poesia pede um
reflexão mas pede também uma ação a partir daí.” Juntamente
com outros saraus periféricos como o Cooperifa, Sarau da Brasa e Elo
da Corrente, o Sarau do Binho marcou presença na 40ª
Feira Internacional do Livro de
Buenos Aires, que aconteceu de 24 de abril a 12 de maio. Ao todo,
foram 16 coletivos e mais de 100 que se apresentaram no stand
reservado aos brasileiros. Atualmente o sarau acontece no Espaço
Clariô de Teatro, em Taboão da Serra e também em bibliotecas e
praças públicas da cidade.
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| Poema em exposição na Casa das Rosas. Foto: Isadora Vitti |
E se existe amor em SP, isso a gente não sabe. Mas, poesia? Essa com certeza existe! E ai, já pegou o seu bloquinho?
Isadora Vitti vittidora@95@gmail.com





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