Independente de quem? Ou sobre morrer de fome ou de nome, a busca da identidade de uma editora independente
Eu
começaria a escrever esse meu pequeno texto indo ao dicionário e pesquisando o
significado da palavra “independente”, contudo procurei muito e não achei o
velho Aurélio daqui de casa, mas vale o exercício, pesquise no google o
significado da palavra independente, ou use seu conhecimento
linguístico junto com seu conhecimento de mundo e diga pra si mesmo que diabos
essa palavra significa.
A resposta
vai apontar mais ou menos para o mesmo caminho, aquilo que é livre de, aquilo
que é autônomo, dentro dessa perspectiva seria ingênuo falar em latu
sensu sobre
algo no mundo que fosse verdadeiramente independente, a não ser sempre em relação a
alguma coisa, exemplo, uma banda independente o é
em relação as grandes gravadoras, um filme independente o é
em relação as grandes distribuidoras, um escritor independente o é
em relação as editoras e livrarias, mas o que seria então uma editora independente? Independente em
relação a quem?
Desde que
adentrei junto com meus dois Amigos Nathan Matos e Madjer Pontes nesse mundo de
ser editor nunca mais tive sossego e só adicionei perturbações no meu
pensamento que nunca foi lá muito pacífico, principalmente em relação ao
mercado e minha relação dentro dele.
No texto
do meu amigo e sócio, Nathan Matos, publicado aqui no LiteraturaBR, ele coloca
uma série de provocações principalmente em relações as livrarias. Tenho uma
grande amiga livreira, conversando com ela sobre preços e porcentagem ela
deu-me um enorme puxão de orelha e comprou briga colocando uma questão muito
válida, disse ela que não é porcentagem dessa participação que está errada e
sim o preço do livro.
Porém,
entre o justo e o praticável existe uma ponte, uma ponte que precisamos
analisar, debater, entrar em consenso. Todo mundo tem que conseguir sobreviver
nesse sistema literário, agora como sobreviveremos todos juntos e felizes, aí
são outros quinhentos.
Acredito
que esse “independente”
o é em relação ao mercado, ora, queremos ser independente dele,
mas queremos estar nele. Sim, contudo está no mercado não deve ser, no meu
mundo utópico acredito assim, ser refém dele. ( isso é possível? algumas economias alternativas mostram que sim)
Antes de
qualquer outra coisa o editor esta dentro do sistema literário e tem
consciência de que é preciso de escritor, editor, livreiro, mediador, leitor e
crítico para a existência desse sistema, todos esses atores dialogando na
construção de uma literatura\leitura, sabendo que, sendo a leitura um processo
de construção de significados, ela é tão necessária quanto o pão nosso de cada
dia.
Por
último, acredito que denominar-se editor independente é uma
marcação politica e não fugiremos de todos os embates que um ser político tem
de enfrentar. Precisamos pensar sobre como nos organizaremos e construiremos
nossas identidades, como demarcaremos nosso território, qual será o nosso
discurso ou discursos e o principal, como fugiremos da lógico predatória do
capital para estabelecer conexões e mutuamente com todos os atores do sistema
literário aqui já mencionados promover a continuidade da nossa existência.
Até lá,
deixo um último questionamento, existe um leitor independente?

0 comentários:
Enviar um comentário