“Mamãezinha disse que escolhesse essa daqui”. A Difícil tarefa de escolher sabiamente livros para as crianças.
![]() |
| Biblioteca Infantil da casa da Mimi Verunschk |
Quando
comecei as minhas investigações em literatura infantil ( vê http://www.literaturabr.com/2014/07/a-biblioteca-das-minhas-sobrinhas-em-e.html ), um por gostar muito e
me divertir bastante, dois pelo número de sobrinhas e filhos de amigas e amigos
que estão aparecendo na minha vida, três pelo fato de trabalhar alguns anos com
a profissão de contador de histórias e mediador de leitura, questionei-me como
escolher livros para esse público, para contar histórias, por exemplo, sempre
escolho por afinidade, conto aquilo que amo, mas isso ainda não é tudo, não
posso apresentar só o que gosto para as minhas sobrinhas, posso?
Como
toda arte, mídia, como todo o mundo, os livros feitos
especificamente para as crianças estão recheados de ideologias, de
ensinamentos, de conselhos, afinal, os contos de fadas surgiram primeiro com
esse intuito, ninguém quer sua filha “engolida
pelo lobo mau”, por isso a história da Chapeuzinho está aí pra alertar nossas
meninas e meninos. Escondido nas entrelinhas de alguns desses livros já vi, machismo,
conformismo, coisas nada legais que particularmente não gosto, rondando livros,
gibis e afins.
Um
dia, entrei na livraria e a primeira coisa que vi foi, “livro de desenhos para
meninos” adivinha quais as coisas que tinha dentro? Nem precisa colocar o tarô.
Coisas assim quero evitar para meu filho que um dia vai nascer.
Por
isso, pedi ajudar para algumas amigas, questionei-as se elas foram crianças
leitoras, todas responderam sim em maior ou menos grau de leitura. Questionei
se elas estavam atentas ao que seus filhos estavam lendo. Mais uma
resposta positiva.
Avançando
nessa minha pesquisa, sobre escolhas tive algumas respostas, como essas:
“vamos muito a
livrarias juntos. eles folheiam os livros e fico atenta aos interesses deles.
como leio muito sobre literatura infantil, também apresento autores,
personagens, dialogamos sobre , pergunto se querem conhecer tal ou tal livro.
também frequentamos sebos virtuais, um achado para bons livros tanto seminovos
como esgotados. um exemplo é do autor que estamos lendo agora, o britânico
Roald Dahl. Chegamos a ele por conta das duas adaptações para o cinema de
"A Fantástica Fábrica de Chocolate". Minha filha mais velha já havia
lido o livro junto com a professora de sua antiga escola e queria reler. Foi
uma releitura para ela, mas para o caçula foi o primeiro contato com o autor.
Na orelha do exemplar descobrimos que Dahl tem outros livros infantis e
compramos mais dois títulos, "Matilda" (que teve uma ótima adaptação
para o cinema por Danny de Vito) e "Charlie e oElevador de Vidro"
(continuação de "A Fantástica Fábrica de Chocolate"). Eles decidiram
que gostariam de conhecer um personagem novo, então estamos lendo agora
"Matilda" e só partiremos para saber o que acontece com o herói
Charlie Bucket e o senhor Wonka em seguida (para dar saudades do Charlie e
criar suspense, segundo as crianças). Vivemos um processo similar com os livros
que contam a aventura da personagem Pippi Meialonga, da sueca Astrid Lindgren,
e com as autoras Ruth Rocha e Eva Furnari”
![]() |
| Garotada lenda na casa da Irlane Alves |
“Sobre a escolha dos livros,
geralmente ele escolhe. Visitamos regularmente a biblioteca da escola, às vezes
juntos, às vezes separados. Algumas vezes eu levo algum livro que acho ser do
interesse dele, mas ele é muito ativo nas próprias escolhas e geralmente faz
isso sozinho. No entanto, como eu já conheço os interesses dele, minhas
sugestões são bem aceitas.”
- Irlane Alves
Entre escolher e permitir escolher, o acompanhamento dos pais e mães é
de suma importância, a leitura é antes de tudo um momento de prazer e diversão,
contudo, quando as crianças crescem o nível de leitura delas também podem e devem crescer, nossa participação nesse momento é fundamental, nosso conhecimento de
mundo é maior, nossa leitura de mundo também. Vivemos mais, simplesmente. Por
isso podemos oferecer uma boa diversidade para eles. É bom lembrar o que o
Gilberto Gil disse sobre política cultura, e trazer para nos, “o povo sabe o que
quer, mas também quer o que não sabe”. Os pequenos têm muita atitude, é
verdade, porém, não podemos deixá-los a mercê das escolhas da mídia, dos bonequinhos
da moda. TV não é educador, então não custa nada assumirmos nosso papel nesse
processo educacional literario e estético dos nossos filhos, irmãos, primos e sobrinhos,
e sermos ativos e atentos.
No fim das contas, escolhendo bons livros, ler junto vai ser muito mais divertido,
um bom livro de literatura infantil é antes de tudo um livro de literatura,
assim sendo é universal, sem idade, gêneros e nacionalidade.




