PE-DA-CI-NHOS, conto de Alex Costa
A volta da escola era
também divertida: um, dois, três pulinhos no trilho do trem. Ziguezagueando
entre pedras e ferros a pequena Maria brincava; um saltinho para cada vagão que
imaginava estar vindo na locomotiva que se aproximava. Mas pedra e ferro traem;
o sol do meio-dia gosta de embaraçar a vista das menininhas famintas. Com o
pezinho preso no trilho de ferro, Maria gritava de dor e desespero, e de longe
já ouvia cantar o trem cargueiro das doze horas. Chorava aos gritos, que era
coberto pelos assobios da máquina velha e enferrujada, manuseada pelo impiedoso
maquinista, que nem via a pequena.
– Socorro! Meu pezinho
está preso, papai! – soluçava Maria.
Quando o trem saiu o
túnel, Maria já não mais lutava para se soltar, apenas sentou-se no trilho,
esmorecida e com o rostinho vermelho de tanto chorar, quando a sombra veloz e
fria se aproximou, que deixou em pedaços os sonhos, o corpo e a blusinha de
crochê da pobre menina Maria.

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