Resenhas Entrevistas Contos Poemas Crônicas Ensaios
8 de agosto de 2014

6 poemas de Marco Aqueiva

Retirado de http://migre.me/kIPcD


por Marco Aqueiva*

i 

seca como o olhar suspenso
            que não se retira do céu limpo

seca como o nariz para fora da janela
            que não esbarra na menor aba de vento

seca como há coisas
            que ainda sobram à luz escaldante
           
ii
  
clareza à altura da pedra
            já não ensurdecida no meio da sala
já não alheia aos olhos no monitor
            já não cheia de espera e plumas
            já não esvaziada pelo velho conceito
            já não arrumada para ser diferente
            sem mais nem menos
           
já não é a evidência maior
que o brilho nas variações da pedra
em chamas junto à flor seca
de pêssego, ou outra qualquer,
como se víssemos à altura da pedra
            uma paisagem levitante
            aterrissando indiferença
           
            iii

o azul que se estende
por toda a planície acima dos olhos
grita

grita ele com a lentidão das pedras
que as nuvens já escorrem sobre a espera

iv
  
trovoada seca
            divisa entre luz e água

fiapinhos de nuvens onde
            ao longo de todos os dias
           
azul sem fissuras
            mesmo na variedade do branco

branco do cascalho
            por dentro dos grandes olhos

azuis no cachorro magro
verdes para manter a esperança
         
v
  
o mundo sobe
            para o azul
            para habitar outro mundo

nuvens carregam
            contra o azul
            olhos nublados sem nuvens

o sangue sorve
            sobre o azul
            gotas do dia sempre pedra

as águas descem
com este azul
chegam à canela dos versos

            mais a revoada dos leitores
  
vi

velhos artesãos ainda carregam pedras

manchas de sangue seco
ainda quente na paisagem
trincando o sossego

laivos de sonhos coletivos
na pedra na mesa aglomeram-se
            contas para os terços
            alfinetes para as bonecas
            os miúdos olhos negros
                        na cabaça seca


* É autor do romance Sob os próprio pelos - Seres extraordinários, título premiado com o ProAC - Programa de Ação Cultural 2013, Marco Aqueiva é Professor no ensino superior e autor dos livros de poesia O AZUL VERSUS O CINZA & O CINZA VERSOS O AZUL (Patuá, 2012) – premiado pela Secretaria Municipal de Cultura de Atibaia – e NESTE  EMBRULHO DE NÓS (Scortecci, 2005) –  que obteve o 1º lugar no III Prêmio Literário Livraria Asabeça. Publicou ainda a novela SÓIS, OUTONO, SOU? (Dulcineia Catadora, 2009). Tem poemas e contos incluídos em antologias e revistas impressas; resenhas e críticas publicadas, dentre outros, na revista O Escritor, da União Brasileira de Escritores. Desenvolveu com Gonçalo Galvão o projeto Diálogos Literatura e Psicanálise no Cinema (entre 2008 e 2013). Integra o coletivo Quatati, de produção e difusão literária.
  • Comentário via Blogspot
  • Comentário via Facebook

1 comentários:

  1. CLaReZa SeCa -- série que integra o aZuL VeRSuS o CiNZa -- fala-me da "incandessência" de uma região situada entre mim, a secura e o desassossego. Meus agradecimentos a Nathan Matos! Precisamos de Fortalezas como o LiteraturaBr. Vão lá os SeiS primeiros poemas de DeZeSSeTe!

    ResponderEliminar

Copyright © 2012 LiteraturaBr All Right Reserved
Designed by Bravo WebDesign | CBTblogger