Mas o que é ser independente?
A
pergunta pode ser cabulosa. Quando fiz essa pergunta a mim mesmo, há algum tempo, eu
não entendia nada de mercado editorial, não sabia como se editava um livro,
quais eram as etapas que o compunham. Também não sabia que era possível um
autor desconhecido conseguir ser publicado por qualquer editora, seja ela
grande ou pequena, eu nem sabia o que era uma editora. Porém, a bola azul gira,
e quem tem boca vai a Roma, não é assim?
Aos poucos, fui entendendo como se dava o processo para a
publicação de um livro. Foi em conversas com desconhecidos, através da
internet, e de cursos que me “profissionalizaram” a ser editor, que entendi como
se dá todo o desenvolvimento da criação de um livro a partir do momento em que
se recebe um original para ser aprovado ou não.
Esses
processos são os mais importantes e que, muitas vezes, o autor desconhece, acredita
que é simplesmente enviar o original, seja ele impresso ou em arquivo do word, que a
editora irá publicá-lo. Tola loucura. Seja ele um Homero ou um Chacal, a
verdade é que todo autor passa por críticas e sua obra sempre leva alguma
bofetada, ou várias, antes de sair da prensa. Até lá são muitos os processos.
Desde
o momento de análise, passando pela revisão e pela preparação do projeto
gráfico do livro, até o momento da venda – um momento muitíssimo importante –
são muitas as agruras e venturas de editar um livro. Eu, novo no pedaço, que o
diga. E o que mais me chama a atenção, hoje em dia, é uma pergunta que me
jogaram assim "no meio dos peitos": O que é ser independente?
Parei
e pensei durante uns dias e não sei se achei bem a resposta. Alguns
amigos editores acreditam que ser independente é não nos entregarmos ao comércio livreiro, que
nos assaltam a mão armada - a violência está em todo lugar - com percentagens enormes, diminuindo, ao meu entender,
todo o trabalho realizado em prol de lucro. Esse ponto por si talvez já
bastasse. Mas há ainda a questão de publicar quem a editora desejar sem se
importar muito com a reverberação que o livro terá, uma vez que o editor independente quer apenas ter
o autor compondo seu catálogo ou apenas ajudar a um escritor amigo a ter o seu livro
de poemas ou contos publicado. Ele não quer uma carreira de escritor, é apenas
um desejo de três, entendeu?
Porém,
apesar disso, acredito que uma editora independente não deve e nem
pode deixar de lado a questão da venda. Sim, da venda! A venda, não, não venha
apontar o dedo pra mim sem antes ler o resto do texto, é o momento crucial e
mais importante de todo esse processo para as pequenas casas editoriais, ou
como uma jornalista preferiu chamar “editoras fundo de quintais”; somos quase
uma banda de pagode, então, e olhe que com certeza nos daríamos bem se participássemos do mercado.
Mas,
realmente, vender o livro é o mais importante? Sim! Para uma editora independente
vender o livro é mais importante, pois só assim ela se mantém e é possível
publicar novos escritores. E continue a ler o texto pra não ter uma ideia
errada do que estou escrevendo e de mim e achar que estou a concordar com a questão do lucro. Não é isso.
Tudo
isso não quer dizer, em hipótese alguma, que o conteúdo dos livros que são
publicados por essas pequeninas casas editoriais é irrelevante. Pensar assim é
pensar pequeno e desconhecer o mínimo que seja de comércio. A editora
independente tem uma vontade de poder ser livre e fazer o que bem entender,
porém como todo santo cidadão ela tem suas contas para pagar e o editor precisa
se manter, ou vocês acham que ele vive de páginas e capas duras, onde a saúde está fundamentada em uma dieta rica em fonemas?
Brasileiro
que é brasileiro sabe que vivemos na terra do imposto. E apesar dos livros
serem isentos em alguns pontos, o comércio livresco mata a pauladas, como se
utilizassem aqueles mosquetes elétricos para matar moscas ou pernilongos. Ter
uma editora independente, hoje em dia, não é nada fácil, é quase um suicídio! Contudo, é algo que vem acontecendo, ao longo dos últimos anos, no Brasil. Talvez
nessa última meia década com muito mais força, ou como nunca aconteceu antes na
“terra do samba e do futebol”, não sei, ainda não parei para ler toda a
história da editoração de nosso país. Mas é certo que são muitas as editoras
pequenas que nascem, não crescem e morrem atrofiadas pela falta de incentivo de
todas as partes, não apenas do governo, mas pela concorrência desleal que as grandes livrarias e a própria mídia exerce com o marketing pesado ao qual as "fundo de quintal" não possuem. Mas não esqueçamos dos leitores, eles são o ponto crucial nesse sistema, pois se a venda é mais importante é tão importante ter o leitor. E não deixemos de fora, também, os próprios autores publicados, que querem ver os seus livros publicados, querem ver seus livros serem lidos, participando de prêmios, que todos o comprem para em breve poder publicar um outro livro por uma outra editora independente desejar publicá-lo, enquanto ele, autor estreante, não dá a mínima para outras obras que estão no prelo e em breve ficaram a disposição para venda. Mas isso já é outro assunto e deixo isso para um outro texto.

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