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20 de junho de 2014

A Observação



por Júlia Sá*



Primeiramente te queria por inteiro, e se agora disser que te quero por partes, minto. Teus pedaços não me seriam suficientes, não pra essa vontade que ainda habita em mim, que antes achava ser amor, mas descobri ser, na verdade, uma paixão-café: quente e forte. Mas não serei cafajeste a ponto de fingir pra ti, não pra ti, que é ator, pois logo me descobriria; mas é que, parafraseando Johnny, “o caminho dessa dor me atravessa”, e seria repetitivo dizer que tu podes cruzar esse caminho à hora que bem quiseres. E como quis dizer que o teu cheiro também é doce, e Arlindo já não pode te fazer nenhuma inveja. E como eu quis te dizer que eras tu “Esse Cara” que Clécio declamou naquela noite, no chão de estrelas. E como, naquela noite, queria te dizer tudo que mais admiro em ti. E como queria desembaraçar teus cabelos, só pro teu cheiro ficar entre os meus dedos. E como eu queria que o pedido de um beijo, de uma transa, do que fosse saísse da tua boca e pulasse aos meus ouvidos; te daria então um sorriso como resposta, só pra deixar um ar de subentendido. E mesmo tu sabendo de tudo, ou quase tudo, deixo a ti uma última observação: se algum dia, ao caminhar pelo deserto, eu encontrar uma lâmpada, pedirei ao gênio para te convencer a me ensinar tua arte, porque se fores tu o meu professor, posso virar artista também.






*Oriunda da cidade de Oz, aperfeiçoou-se como uma das maiores caçadoras de causas impossíveis e situações incompreensíveis. Atualmente trabalha na sua tese de doutorado, sendo esta nomeada “Amores impossíveis e Paixões não correspondidas: como não se foder tanto quando isso acontece”, pretende defendê-la em seu último dia de vida. 







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