2 poemas de Léo Prudêncio
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| Os músicos - Nathan Brutsky |
Em breve publicarei um volume de poemas intitulado: Baladas para violão de cinco cordas. Eis abaixo dois poemas que estarão no livro
os poetas
(poema
redundante)
I
os poemas são as chaves para se desvendar
a vida e a vida segue o ritmo das ondas do mar
(clichê não?)
as palavras existem para criar mundos
foi com a palavra que Deus criou o seu mundo
por falar em Deus
o poeta é um profeta enviado por Jah
II
o poeta
mero manipulador da palavra
o poeta
mero desespectador da vida
escrever poemas é como soltar
pássaros de suas gaiolas
e
quem compõe poemas
já tem o perdão divino
III
!(
a propósito:
foda-se platão e sua república
)!
IV
ser poeta é absorver as dores do mundo
é cavalgar nas palavras
é desconstruir o agouro (h)umano
ser poeta é desacreditar na vida
é fornecer o grito
é formular o descompasso
do caminho
V
sentado à beira do cais
o poeta pergunta ao mar:
“que
faço eu no mundo?”
ondaondaonda
ondaondaondaondaonda
ondaondaondaondaondaondaonda
ondaondaondaondaondaondaondaondaonda
ondaondaondaondaondaondaondondaondaondaondaonda
o mar devolveu-lhe apenas o silêncio
da existência humana
VI
quem nunca se sentiu como um navio naufragado
(além de não ter o dom da poesia)
sobre viver nada sabe
BÔNUS
TRACK
(na vitrola: John
Lennon: Jealous Guy)
por
onde a n d e i
aqueles
dias
de
cabeça baixa
semblante
umedecido
só Deus
sabe
o que
eu carregava
nas
costas e no coração
sou a
metade do nada
estou só
sentado
à mesa de um bar
[eu:
chico
estou a
quatro goles do inferno]

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