Em busca da palavra do mundo
por Alessandra Bessa
“Tenho uma folha branca
e limpa à minha espera:
mudo convite
tenho uma cama branca
e limpa à minha espera:
mudo convite:
tenho uma vida branca
e limpa à minha espera.”
e limpa à minha espera:
mudo convite
tenho uma cama branca
e limpa à minha espera:
mudo convite:
tenho uma vida branca
e limpa à minha espera.”
Ana Cristina Cesar
Uma folha em
branco. Um lugar. E cada ser um mundo desfeito. E cada mundo uma morte. E cada
morte um lugar que se torna um vazio que pede uma nova busca.
As palavras que se
fazem frases e frases que se tornam textos. Textos que "desembocam” em uma
outra vida.
Uma vida escrita
no universo dos dedos sedentos. Já que o amor da poeta é um desespero. É a
dança sutil que dispara “tiros absurdos" são tiros que querem alcançar o
absurdo infinito de tudo.... Esta tenta sentir que, em algum lugar, poderá
existir um alguém mais atraente, mais do que a sua solidão e é quando se dá
conta que a solidão é perfeita. É quando se dá conta que a solidão mostra-se
mais perfeita do que o amor.
Já dizia Fernando
Pessoa “Boa é a vida, mas melhor é o vinho.
O amor é bom, mas é melhor o sono.
O amor é bom, mas é melhor o sono.
Ela esquece. Ela dorme. Ela lê. Ela experimenta as sensações mais
diversas com a dor que a faz ser poeta. Ela veste-se de múltiplas identidades. Ela finge e até se
engana. Mas não sabe disfarçar sua insatisfação com a
necessidade de um amor que anseia
Com essa incompreensão a poeta almeja
"rasgar" a linha de conforto da humanidade; com questionamentos
existenciais e filosóficos, dos quais
ela é a própria filosofia e
completa um pouco a filosofia do mundo. Desta maneira, reconhece a escrita como
um lugar primordial. A compreensão do mundo sob a ótica da literatura, que é
para ela a única liberdade.
A morte como um
excesso de vida... E a poeta sente uma atração irresistível pela morte...O
vazio contido nas coisas "derrama" sobre ela uma efusão de
pensamentos [caóticos]. Talvez de tão lúcidos vivem no infinito. Ela
"brinca" com o infinito e com a incoerência, e com a loucura, e com a
negação, e com a dor. [Um labirinto desmensurado.]. Ela é um labirinto desmensurado de
palavras, sentimentos, lamentos, amores, dores... formas... vazio... vazio...
Talvez, queira
fazer amor com o mundo. Depois sente " asco" e cospe na cara do
mundo com nojo! Já que o mundo não soube lhe satisfazer.
A música que vive
no ser da poeta é triste. Mas, como toda música triste, é intensa e bela.
Consciente e inconsciente do que é, ela escreve... Como uma necessidade e como
um ser que é aglutinado ao ato da escrita. Condenado a escrita... Condenado a
dor... Condenada a ser uma entidade-texto no mundo concreto.
E vai se
apresentando em linhas poéticas. Um pouco de si em letras. Um pouco de si no
vazio das letras. Um pouco de si nas pessoas. Um pouco de si no escuro das
coisas exatas e inexatas. Um pouco de si nos códigos linguísticos. Que não representam nada apenas miniaturas de um novo mundo-texto que
não é ela.
Mas que se torna um alguém que fala alguma
linguagem desconhecida. Desconhecida até mesmo dela: a poeta que escreve o
desconhecido. Porque a vida nunca foi dado a ser algo para o conhecer. Porque a
vida, mesmo a vida criada pela poeta, não pode ser conhecida. A poesia existe,
a poeta existe, existe a dor, existe a vontade, existe o amor, existe o caos...
No entanto, nunca conheceremos o “grito” dessas cores. [Cores de Almodóvar].
O grito emitido é
ensurdecedor. E o universo não se apercebe. Não podemos escutá-los. Ela, a
poeta sente e tenta dizer e desabrocha em sua intensidade: um sentir e um
criar. Um alguém chamado poema. Que não é ela e não é ninguém. É um poema.
Apenas e unicamente um poema. Que como um ser, que como uma entidade é dado a labirintos e complexidades, das
quais resvalam entre as substancias da vida e da incompreensão.
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