3 poemas de Nathalia Rech
por Nathalia Rech
dar nome as rochas
o que fazer quando se está em um hospital
ninguém nos atende
pensei que estar em um hospital já era pretexto
para ser atendido
o que acontecem quando você procura um enfermeiro
o mais bonito de todos, aquele com um broche em cada olho,
e abre seu medo como um animal de alfaiataria, lhe cortando e costurando
ao mesmo tempo,
“não estás a ver que estou adoentado?”
seu corpo como uma duna que retifica cada mini rochedo
porque estás casando de perder-te os pedaços reclama
então o médico, o mais bonito de todos, aquele com amarilhos em cada
olho,
fica a assistir a grande corrida de autorama nos bastidores das veias
você a relatar os sintomas: “quando acordo sempre tenho de juntar
o braço direito do chão”
o que fazer quando o segurança o mais real de todos
aquele com um olho a mais em cada olho
te coloca para fora do hospital com pregos nos pontapés
pregos que pela intimidade imposta acabam depois da pele
você senta no meio-fio com o rosto aberto a tintilar o próprio sangue
com a língua
tal como o pincel de um pintor pouco indeciso?
a) você volta para o hospital?
b) você sorri?
b) você sorri?
*
polegares
a grande trapaça do destino
aconteceu da minha cintura para baixo
mas também da minha cintura para cima
porque tinha pernas e elas não me faziam estátua
pensava minha vida inteira serei pernas
um dia eu e a janela quem vejo as pernas
do tempo correndo super mercúrio chama olímpica
logo meus pés viraram um local de traição
como a palavra cabeceira que é irreal porque
ninguém coloca os cabeças lá
agora tudo que faço quem faz são os braços
com ele escrevo limpo a bunda dou de comer a tumba
doem meus braços tanto que doem penso
talvez as pernas fiquem em cima é uma questão de ponto de vista
sempre respeitei menos as mãos por suas tendências ao apego
as pernas nunca não possuem nem polegar
como o tempo só possui pernas lá também não há
as coisas só passam assim como devem as coisas
são coisas porque passam
aconteceu da minha cintura para baixo
mas também da minha cintura para cima
porque tinha pernas e elas não me faziam estátua
pensava minha vida inteira serei pernas
um dia eu e a janela quem vejo as pernas
do tempo correndo super mercúrio chama olímpica
logo meus pés viraram um local de traição
como a palavra cabeceira que é irreal porque
ninguém coloca os cabeças lá
agora tudo que faço quem faz são os braços
com ele escrevo limpo a bunda dou de comer a tumba
doem meus braços tanto que doem penso
talvez as pernas fiquem em cima é uma questão de ponto de vista
sempre respeitei menos as mãos por suas tendências ao apego
as pernas nunca não possuem nem polegar
como o tempo só possui pernas lá também não há
as coisas só passam assim como devem as coisas
são coisas porque passam
*
algodão
existe um bolso especial
para treinar o dedo antes
de apontá-los
aos olhos de alguém
o dedo fica lá por semanas
até estar preparado
deveras
tem dias é preciso não esperar
nada que se apresente
pelo nome
nesse dia um bolso promete
desaparecer e se as mãos estiverem lá
vão junto.
Nathalia Rech nasceu em Porto Alegre/RS, em 1991.
para treinar o dedo antes
de apontá-los
aos olhos de alguém
o dedo fica lá por semanas
até estar preparado
deveras
tem dias é preciso não esperar
nada que se apresente
pelo nome
nesse dia um bolso promete
desaparecer e se as mãos estiverem lá
vão junto.
Nathalia Rech nasceu em Porto Alegre/RS, em 1991.

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