3 poemas de Silas Façanha
por Silas Façanha
Ungido
Indico, se passo, não ando
Indico, se passo, não ando
Não
cruzo o centro
Adaga, de folha caulosa
Sendo o que sendo
Não corta o vento
Adaga, de folha caulosa
Sendo o que sendo
Não corta o vento
Indico,
se ouço, não noto
Se posso, não olho pra dentro
O fogo, da praga pintada
Qualquer comburente
Se posso, não olho pra dentro
O fogo, da praga pintada
Qualquer comburente
Não
queima o momento
Indico, de pouco, eu ganho
Não aponto o firmamento
Recolho, fuligem em parte
Combustão frequente
Intacto sentimento
Indico, de pouco, eu ganho
Não aponto o firmamento
Recolho, fuligem em parte
Combustão frequente
Intacto sentimento
Ungido,
vem do cheiro, o canto
Rindo
os limites do pensamento
Escondo, o resto de sorte
Escondo, o resto de sorte
Presente
do santo
Levanta-me que eu tento
Levanta-me que eu tento
*
De
mão
Pétalas
no ralo
Formigas
no talo
Nenhum
ouro pesa
O
que me pesa às costas
Não
vejo metal
A
corcunda é que brilha
As
ações crescem
As
ações pesam
As
vértebras inclinam
Estralam
e partem
Nenhum
ouro vale
O
que me estrala às costas
Nenhum
ouro compraria
O
que levo no casco
Em
lucidez não
Mas
em desespero
Seria
o movimento primeiro
Que
eu faria
Pétalas
no ralo
Formigas
no talo
Atlas
nas costas
*
Arestas
Odeio
estas roupas
Tanta alça tanta gola
Tanto pano tanto bolso
Permaneço nu se não me vestem
Tanta alça tanta gola
Tanto pano tanto bolso
Permaneço nu se não me vestem
Se
hesito
Despem-me
Se desisto
Queimam-os
Se calado fico
Enlatam-os
Se me pronuncio
Enlatam-me
Despem-me
Se desisto
Queimam-os
Se calado fico
Enlatam-os
Se me pronuncio
Enlatam-me

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