Três poemas de Nestor Lampros
por Nestor Lampros*
YNDIÁRAMOS
Yndiara
mais cedo
Revelaste
o que a flor
Revela-se
ao revelar teu amor.
Trinta
e sete vezes
Notei-te
entre as bruscas imagens.
O
mosaico tornou-te
Forma
e conteúdo.
Só
consegui nomear-te
Na
nebulosa de Câncer.
Entre
estrelas brilhas
E
nomeias a forma desigual
Das
demências dos ideais
De
todas em todos.
Na
via acesa, lume e própolis,
Rompeste
com a embriaguez
E
fui sorte e rei
Na
tua coroa.
Sem
espinhos e cheia
De
Deus.
Yndiara
Rosa Macedo Isejima Lampros,
Nunca
depois de ti haverá adeus.
*
AMORTECENDO
ÓDIOS
As bocas abertas depositaram
Suas flores de ódios
Em outras bocas abertas.
O ódio consiste em, naturalmente,
Aceitar os inimigos do mundo,
Os grupos de inimigos-
Próximos e distantes e distraídos-
Como essenciais para o bom funcionamento
Das raivas, ódios, orquestras de cenhos
Franzidos, festas de vinhas da ira.
Surdamente acompanhados
Conspirando, voláteis,
Na arma, que se respirou
- Dezenas de ódios,
No ódio - cerne e imprecisão.
Custar em não amar
Apresenta a face e as bocas armadas,
Deitando poemas maus, de ódio,
E amando o ódio como a um irmão.
Sujeitos a compreender
Com as bocas escancaradas
O gosto de sua união
Sempre no passado.
No passado cego de ódios.
Presente, feito sua íntima prisão.
Futuro, profetas cegos, na saída,
em sua total resignação.
*
REVOLUÇÕES
& REVOLUÇÕES
Sim –
ouvi a revolução.
Ouvi em
vez do grito, lamentação.
Jeremias
também ouviu. Barrabás riu tão alto.
Nero
sorria e assoviava frente os corpos em chamas.
Napoleão
dividia o seu mundo igualmente.
Hitler
tornava-se puro e permanente.
Stálin
e sua vodka com hemácias.
Depois
Bushes, Dadás, Maos, Reagans,
Médicis,
Figueiredos, Tatchers
Vargas,
Fidéis – outros&outros...
Sim –
ouvi a revolução.
Mas
ouvi mais alto o pedido/perdido/ pedinte,
Sua voz
pouca,
Por uma codea de meio quase pão.

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