3 poemas de Davi Kinski
por Davi Kinski
Os 7
pecados no corpo
Meu corpo
Desejado
Depois do coito
É gula
Meu corpo
Guardado
No armário
Avarento
Meu corpo
Virado em um copo
De vinho
É luxuria
Meu corpo
Sem o teu
Por perto
Irado
Meu corpo
Desejando
Ser outro
Invejoso
Meu corpo
Perdido
Num sol de domingo
Preguiçoso
Meu corpo
É Sagrado
Único
Soberbo
Meio
Bossa-nova
É o vento que derruba
os muros
A poesia que se faz
mais calma
Dentro
Nem sempre é possível
ser caos
Nem sempre solidão
Acompanhada
É a chuva que escorrega
Os nossos sonhos
fatigados
De vontades pregadas
nos pelos
Os dias carregados nas
linhas indecisas das mãos
Nem sempre é possível
ser montanha isolada
Nem sempre atlântico
Um salto voraz aos teus
dramas
Selvagens
Quietos, dentro do
apartamento.
Da cidade gaveta
Nem sempre manso ou
feroz
Mas brando no peito
Dourado, como paisagem
da terra santa.
Nem sempre é possível
calar a poesia
Que nasce na região
côncava
Dos desejos libidinosos
Nem sempre esse grito
estilhaçado no asfalto
Nem sempre esse
silêncio virado no álcool
Atiro para o alto
uma inconstância vadia,
como a brisa
Na beira dos nossos
sonhos
Geografia
Uma
vontade
Exagerada
De
pintar o silêncio
Rasgar
as horas
Fazer
um strip-tease
Com
o destino
Aquela
vontade, dear
De
fazer revolução
Com
um olhar
E
sossegar
A
alma
Tirar
do canto
Das
coisas
As
delicadezas
Esquecidas
Aquela
vontade de lavar
Os
desejos
E
estender
No
varal
Beijos
suados
Pactos
Selados
Aquela
vontade
De
desbravar
Teu
hemisfério
Nossas
pontes
São
como mistérios
Que
ligam
Os
trópicos
Desse
nosso amor
Continental
Autor do livro de poemas Corpo Partido, Davi Kinski nasceu no dia 14/08/1988 em São Paulo. É ator, produtor e cineasta. Formado como ator pelaActor School Brazil e em cinema pela Academia Internacional de Cinema, dirigiu 7 curtas-metragens, dentre eles Cineminha, convidado a participar do festival italiano Curto In Bra, além de ter dado o prêmio de melhor atriz para Etty Fraser no Filmworks Film Festival, em 2010. Ainda como ator passou por diversas escolas, entre elasFAAP, Wolf Maya e Studio Fátima Toledo. Participou como ator do filme Nome Próprio, de Murilo Salles, que lhe rendeu a indicação de melhor ator no Festival de Gramado de 2008. Como ator gravou também 5 curtas metragens, exibidos em diversos festivais. No teatro, encenouAurora da minha vida, Lisístrata, Bailei Na Curva, O grande Jardim das Delicias de Fernando Arrabal. Em 2011 encenou seu primeiro monólogo como ator, Lixo e Purpurina, baseado em textos de Caio Fernando Abreu, cumprindo uma temporada de grande êxito no Sesc Pompéia. Em 2012 abriu sua produtora, a Play Cultural especializada em marketing cultural, uma das responsáveis pela ultima temporada de Bibi Ferreira em São Paulo, ainda fomentou e captou recursos para produtoras como Baóba, Montengro e Raman, Henrique Benjamim, Marcos Pasquim, MASP entre outros. Atualmente também ensaia como ator o espetáculo Paixões, com direção de Osvaldo Gabrieli, e está em pré produção do documentário Pau pra qualquer obra, inspirado no site homônimo. Escreve poesia desde os 15 anos de idade.

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