Hoje é dia de Rachel
Às vezes, três mulheres precisam ser reunir para
falar de outra. Não poderia ser diferente: a personalidade multifacetada de
quem se fala motivou a reunião de três vozes díspares para – quem sabe assim –
compreender sua vida e obra. Falamos (e falou-se) de Rachel de Queiroz, ponto
luminoso de nossa literatura que serviu de mote para uma conversa entre as
escritoras Ana Miranda e Socorro Acioli e a pesquisadora Cecília Cunha no Espaço
O Povo de Cultura & Arte, na segunda edição do Encontro de ideias. O
LiteraturaBr foi até lá conferir.
X da questão
O encontro estava marcado às 19h. Havia promessa de
café e boa conversa, iniciada por Ana. A autora de O peso da luz (seu título mais recente, publicado pelo Armazém da
Cultura) conversou sobre pontos caros à esfera ficcional de Rachel: o
pertencimento de sua obra ao torrão natal, a assinatura do nome – o “Raxel” que
a todos causava estranhamento –, a intensa atividade na crônica, a confissão
dúbia de quem se dizia “jornalista profissional, ficcionista amadora”, dentre
outros.
WC feminino
Socorro remontou ao final da década de 1990, data em
que se inicia a pesquisa para o ensaio biográfico que mais tarde publicaria
sobre a autora pelas Edições Demócrito Rocha, revelando detalhes curiosos sobre
entrevistas que realizara com Rachel (“muito esperta em conduzir a entrevista
para onde queria”) e sua entrada para a Academia Brasileira de Letras. Rachel
de Queiroz, inclusive, não inaugurou somente a participação das mulheres na
pomposa instituição, como instalou uma questão necessária: a Academia precisava
de um banheiro feminino.
Crônica e
cruzeiro
O laboratório da crônica, suas artes e ofícios
conduziu o bate-papo com Cecília, que já tem dedicado boa parte de seus estudos
ao universo da escritura feminina, cuja pesquisa de doutorado investigou a
produção de Rachel n’O Cruzeiro à
década de 1950. Escritora do livro Além
do amor e das flores: primeiras escritoras cearenses, Cecília encontrou em
Rachel o fio que retomaria a investigação acerca da literatura feminina.
Durante pesquisa no Arquivo Nirez, a professora encontrou textos inéditos –
longe, portanto, das coletâneas e do grande público – e uma faceta ainda pouco
iluminada de Rachel de Queiroz, a de “grande observadora da literatura
brasileira, espécie de crítica literária”, pontua.
por Sávio Alencar

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