O Diário do Farol
“Quando a falsidade deixar o mundo, ele sobrará somente para poucos, mas sobreviverá esplendidamente, o homem é o câncer na Terra.”
Define-se assim o ser humano para o faroleiro que vive isolado em uma ilha, cuidando apenas do seu farol.
João Ubaldo Ribeiro é conhecido por ser um autor que tem senso de humor um pouco elevado, como nos livros Livros de Hisórias, Sempre aos Domingos, o próprio romance Sargento Getúlio é hilário.
Mas desta vez João se superou. Escreveu um livro no qual, muitas pessoas achariam que não poderia vir de sua magnitude.
O homem no qual se define somente falar a verdade neste livro, diz que tem vergonha de ser, um ser humano. Pois para ele não passamos de meros idiotas. Para o faroleiro, não existe Bem e Mal. Os dois são uma coisa só. Não podemos distinguir o que é o bom ou o ruim.
Este ser diz que somos todos iguais. Ele não nos prova, mas faz vermos que somos todos iguais. Porque? Porque todos nós gostamos das maldades do mundo. Todos nós já praticamos alguma coisa maléfica para alguém. Ele acha que nós escondemos a verdadeira personalidade, que seria possuir o mal dentro de si já enraizado, com raízes tão profundas que nunca poderíamos libertar-nos delas.
Por um segundo eu acreditei no que ele nos diz em sua narrativa. Acreditei tanto que até agora estou na dúvida se realmente não somos mesmo o que ele diz sermos.
Diga –me. Qual o ser humano que não para na frente da tevê para ver uma catástrofe? Qual ser não para na frente de um quadro que mostra uma pessoa sendo queimada como nas inquisições? Qual ser que nunca quis ver outro da sua mesma espécie, ali morto à sua frente? Quem não quis é porque ainda não teve oportunidade de pensar no assunto.
O que este homem quer nos mostrar, é como a sociedade abraça as maldades, digamos assim, desse mundo. Onde uma criança criada por um pai que não o tinha como filho, cresce inflando seu ódio dentro do peito para mais tarde vir ter a vingança esperada. Onde um amor perdido pode fazer com que ele busque o poder, para destruir aquele amor que não pode ter para ele. Onde um adolescente vivendo em seminários vive tudo que se passa por detrás das cortinas, para se tornar um padre. Este ser viveu até o momento para destruir todos que quisessem opor-se a ele.
A vingança é algo que está dentro de cada um de nós. Se não quiseres crer nisto, não creia.
Mas pode ter certeza, que você também faz parte desta sociedade.
Editora: Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 2002, 302p
por Nathan Matos

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