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22 de setembro de 2014
A literatura e a dívida.

A literatura e a dívida.



PARTE – ME

Os americanos comeram a bolacha Maria. Os americanos comeram toda a bodega do seu Antoim. Os americanos vieram e comeram metros e metros de ferro enfiados no chão das minas gerais. Os americanos comeram o O2 da Amazônia. Os americanos comeram a caderneta liberdade onde eu depositara o meu money. 

PARTE – TI

Depois que inventaram a bomba atômica o medo nunca mais foi o mesmo.
Depois que inventaram a gordura hidrogenada as doenças vasculares nunca mais foram as mesmas.
Depois que inventaram Hollywood o tédio nunca mais foi o mesmo.
Depois que inventaram a Apple Adão e Eva nunca mais foram os mesmos.

PARTE –SE

Conta a história que certo dia um certo homem em certo lugar do mundo fez um mecanismo de ferro e tinta imprimindo em larga escala os livros da bíblia sagrada.
Desse modo as ideias de deus puderam matar no mundo todo.
Conta a história que os escribas faliram e seus braços imprestáveis até hoje estão  pedindo moedas na entrada do metrô de Tókio.
Depois surgiu o rádio.
Depois surgiu a televisão.
Depois surgiu a internet .
Depois surgiu a banda larga.
Depois surgiu a computação nas nuvens.
Depois surgiu... O que surgiu?

PARTE – FIM

Na França, depois do Luís XV, ninguém mais quis perder a cabeça por isso lá os indesejados são convidados a se retirarem.
Por isso eles querem dar um pé na bunda da Amazon.
Porém, eles inventaram o Carrefour e faliu a bodega do seu Antoim.


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14 de agosto de 2014
A poesia clama por espaço no Sarau do Porto

A poesia clama por espaço no Sarau do Porto



O Sarau do Porto ocorreu ontem, dia 13 de agosto, às 19h00m, pela primeira vez no Portal Iracema das Artes. Nele ocorreu uma homenagem, mais que justa, ao poeta cearense Francisco Carvalho, falecido no ano de 2013. Lá estavam quatro poetas com idades divergentes, mas que possuíam e possuem consigo a poesia como força-matriz da vida.

Entre conversas e poemas recitados, uma música tocada e cantada por Luciana Costa fazia sorrir os que por lá estavam, sentados, calmamente, esperando as performances de Reginal Figueiredo e de Josy Maria, que fumando um cigarro e afirmando com seu cordel que todos, não apenas os homens “comemos na palma de sua mão”, mão esta de mulher, mas que poderia ser a mão da poesia, que invade os corações e arrepia todo o corpo arrefecido de frases rimadas ou não.

Aos  poucos, Talles Azigon, responsável pelo evento chamou as palavras selvagens de Madjer de Souza Pontes para na penumbra da noite trazer o lume poético que entortava ouvidos e pescoços para entender o que se dizia na noite calma, mas não fria.


Poderá haver quem diga que eram poucas as pessoas que lá estavam, cerca de 60 ou 40, pouco importa, e que saraus são chatos; mas o que pode ser percebido, ontem, é que são vários os que querem falar para o mundo a sua poética, compartilhar a sua catarse. Com o palco aberto, alguns poetas foram surgindo para declamar os seus poemas, sendo eles melancólicos ou com palavras chulas que não machucavam algures, mas que faziam sorrir quase todos.

O Sarau do Porto pode ser um espaço que tem tudo para continuar vivo dentro de um espaço público que tem em seu nome a palavra Artes, mas que foi necessário completar 1 ano de vida para que a Literatura surgisse em si. Esperemos pela segunda edição, agora, que acontecerá dia 20 de agosto, na próxima quarta-feira, e que possamos aproveitar e convidar a todas as pessoas, de todas as idades, a estarem presentes no que deveria ser permanente.







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12 de julho de 2014
Biblioteca das minhas sobrinhas em... Palavra-Chave

Biblioteca das minhas sobrinhas em... Palavra-Chave


Um dos poetas que eu mais gosto e que nasceu no Ceará escreveu um verso que vez ou outra passa na minha cabeça como uma grande placa luminosa piscando:

“a palavra chave
Já não fecha nem abre”
Horácio Dídimo

Olha o Sérgio Néo ^^ 
Esse lance de palavra chave é muito instigante, qual palavra é a palavra de abrir porta, pode a  palavra ter esse poder? As crianças dizem: sim, sim , sim.  Poesia é a cara das crianças, com um punhado de palavras elas são capazes de abrir as portas e os portões do mundo ou dos muitos mundos da imaginação.

Esse é o convite do livro do Sérgio Néo, Palavra-Chave. Pegar um bocado de palavras e brincar das mais diversas maneiras possíveis, vale fazer casamento de jabutis, de sapa com pato, vale transformar porta em portão e construir uma figura tão maluca que parece que nem é desse planeta.

O livro, que já está na estante da minha futura biblioteca infantil, usa e abusa dos efeitos poéticos, dos trocadilhos que as palavras causam quando somos pequenos e não sabemos ao certo o que elas significam, quando as palavras estão em estado de graça e podem ser o que bem quiserem.







Ilustrado por várias crianças, as palavras se transformam também em imagens, aqui cabe uma brincadeira bem interessante, podemos pegar os versos engraçados de cada página e propor para os pequenos que eles façam as suas versões.  Aqui em casa já vamos começar a colocar essa ideia em prática.


Agora, se você quiser usar esse livro para ficar viajando na maionese junto com a galerinha, então a brincadeira pode não ter mais fim, é como querer descobrir qual foi a perna que a dona centopeia quebrou. 

^^

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9 de julho de 2014
Os golpes poéticos de Talles Azigon

Os golpes poéticos de Talles Azigon


O livro Três golpes d'água (Substânsia 2014), de Talles Azigon, pretendem golpear três coisas: 1) O homem externo a sua poética; 2) o leitor que convive dia a dia com o poeta e 3) os versos de Azigon pretendem golpear a si próprio. Sendo assim, conversemos sobre o livro do poeta seguindo as divisões demarcadas no livro.

1) O golpe no mundo dos homens

Na primeira parte do livro, como já disse, o poeta direciona os seus golpes literários àqueles que não conviveram diretamente com ele. São os homens desconhecidos, e solitários, que caminham por entre a multidão: o fortalezense. O poema que abre essa parte, poetiza a rotina de Fortaleza:

como um passe de mágica
a cidade faz dormir
todos os semáforos.
o caos instalado
obriga-nos a ler o óbvio:
os homens não se entendem,
por isso os sinais.

o mundo relembra
que é mundo
(de pedra, ferro, cimento e gente)

Na verdade o poema acima pode se aplicar a qualquer cidade. O homem “civilizado” necessita de leis para se governar e se organizar. Sem isso, o homem vive em um caos total. Alias, até com as leis vivemos em um caos. Os últimos versos nos fazem refletir sobre a composição concreta do mundo. O poeta segue as indicações de Manuel Bandeira, que sabiamente, fazia poemas a partir de recortes de jornal, ou, de recortes urbanos.

Na epígrafe do livro de Talles já notamos um dos sinais de influência da poesia de Manuel Bandeira:

Esse anseio infinito e vão
De possuir o que me possui.”
-Manuel Bandeira

Tá certo que colocar uma epígrafe de um autor não indica que todo o livro tenha que, necessariamente, sofrer alguma influência do mesmo. Mas pelo pouco que conheço o poeta dos Três golpes d'água, sei que poderá haver sim um certo diálogo com a poesia de Bandeira. Pois Talles é leitor, full time, de Bandeira. A captação poética, da obra do poeta das Cinzas das horas, se apresenta na percepção do urbano, da conscientização da efemeridade da vida e das referências à memória pessoal do autor fortalezense.

A epígrafe da obra de Talles, sinaliza também a necessidade que o poeta tem de eternizar o que acontece ao seu redor em forma de poesia. No poema Arquitetura do cansaço, Talles a maneira de Alberto Caeiro, faz um poema filosófico sobre a ânsia de sair da cidade. O poeta nessa primeira parte da obra, se sente um cidadão à parte da cidade. E para Platão não há lugar para o poeta em sua república, Talles não encontra seu lugar e por isso despeja o primeiro golpe aos residentes da república/cidade.

2) Golpe no meu mundo

Na segunda parte do livro, Talles Azigon, dirrciona os seus golpes poéticos para si mesmo. Nessa parte encontraremos um poeta exposto que se auto-golpeia com a sua memória. Em um dos poemas, ele nos confessa que há dentro dele um sertão infinito. Essa infinidade interior dará vazão ao lado poético. Nessa parte do livro, desvendamos o sertão interior do poeta.

Sabemos que a introspecção só é válida quando não é transcrita de maneira pessoal, fazendo do poema algo particular, ou, mero recorte pessoal do poeta. Talles se utiliza da introspecção de maneira sutil, pois como todo bom poeta, ele sabe que uma dosagem a mais de introspecção, faria de seus poemas meros textos pessoais.

Concluo comentando que esta parte do livro é importante para o todo da obra, pois a poesia deve primeiro golpear o autor para depois acertar os futuros leitores.

3) Golpe no teu mundo

Comecemos nossa conversa sobre a última parte do livro de Talles, analisando brevemente o poema que abre o terceiro golpe:

fala
teu falo
é meu

falo
o
meu
também
é teu.

Inicialmente, o poeta declara que a sua fala é também a fala do leitor, assim como também a fala do leitor é a fala do poeta. Os golpes dessa sessão, na verdade são feitos por um eu-lírico que se universaliza a partir da sensibilidade do leitor. O lirismo, tão presente na obra de Bandeira, é presença marcante na obra de Talles. O poema abaixo golpeia qualquer leitor desprovido de armaduras:

Fui embora pra dentro de mim
fiz um furo aqui em cima
e deixei escorrer toda crendice
que eu ainda tinha de tu.
nada não,
o amor é assim mesmo
quando não amarga na entrada
amarga na saída.


Sem como se defender, o leitor é golpeado poeticamente nas páginas seguintes desta sessão e de todas as sessões do livro. Se por acaso você se machucar com os Três golpes d'água de Talles Azigon, leia novamente a obra, pois as sucessivas releituras funcionam como antídotos pós-términio de leitura.


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28 de junho de 2014
Brincar com palavras. Um lugar para a Literatura Infantil no LiteraturaBR

Brincar com palavras. Um lugar para a Literatura Infantil no LiteraturaBR


Façamos o seguinte exercício, responda as perguntas abaixo:
- Existem livros na sua casa?
- Você os lê?
- Na sua casa moram ou frequentam crianças?
- Existem livros de literatura infantil na sua casa?
- As crianças leem esses livros?
- Você lê esses livros?

Caso a resposta para todas as perguntas mencionadas seja sim, a você cabe ainda alguns outros questionamentos, Quem escolheu esses livros? A pessoa ou as pessoas que escolheram esses livros os leram? Por último, Quais são os critérios e parâmetros utilizados na escolha desses livros?

Quando o assunto é literatura infantil muitos desses questionamentos passam ao largo, talvez por acreditarmos que a criança não possui senso estético ou pelo simples fato de entendermos a leitura na infância como uma obrigação educacional, um pré-requisito para transformar um pequeno em um futuro leitor.


Na maioria das vezes, na ânsia de que livros sejam lidos pelas crianças não paramos para pensar o que é qualidade em literatura infantil, nem mesmo quais são as ideologias que estão sendo transmitidas nesses livros. O bom e velho Horácio, pensador grego, já afirmava que a função da poesia é “instruir e deleitar”, muitas vezes os escritores de literatura infantil ficam só com o primeiro e fazem verdadeiros manuais de comportamento disso, como se as crianças não tivessem condições de acessar a catarse e por isso não estivessem preparadas para o deleite.


O debate é grande, mesmo não possuindo grande espaço nos portais, revistas, blogs de literatura, muitos já se apropriaram dessa discussão, grandes nomes como o de Fanny Abramovich se debruçam há bastante tempo sobre essas questões.

Aqui, no LiteraturaBR, entendemos que também devemos entrar nesse caldo, por isso passaremos a publicar resenhas, entrevistas, poemas, textos, conteúdos ligados ao mundo da literatura infantil para os nossos leitores adentrarem nesse universo vasto, só nos resta uma última questão “trouxeste a chave”?

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14 de abril de 2014
Editora Substânsia - Uma nova editora, uma nova percepção

Editora Substânsia - Uma nova editora, uma nova percepção



Um novo projeto surgiu. Desde o início, o que eu desejava era apenas guardar memórias com minhas resenhas, mas agora, depois de quase 2 anos de atividade com o Blog Literatura Br, consegui, com ajuda de dois amigos, colocar mais um sonho em ação. Aos que procuram publicar o seu livro, surge uma nova editora: Editora Substânsia. A editora pretende trazer novas percepções para o cenário editorial brasileiro, contribuindo efetivamente para o desenvolvimento das artes. Assim, residindo em Fortaleza - Ceará, uma nova vereda na Literatura foi aberta. Sejam todos bem vindos a participar deste novo projeto. Abaixo segue o release da editora:

Não é possível escrever sem plasmar no papel as impressões que existem em cada um de nós. A ânsia, que se forma em nosso íntimo, é algo que move os escritores a criar mundos e contar histórias, que não se perdem, se transformam. É com esse pensamento que surge a Editora Substânsia, como uma vereda no meio do sertão que nos leva ao poço.

Editora Substânsia foi criada com o intuito de publicar livros de autores contemporâneos, nos mais variados gêneros, e perspectivar novas condições de diálogo entre os criadores brasileiros das mais variadas artes; abrindo novas possibilidades no mercado editorial brasileiro. A exemplo de outras editoras independentes, o que nos move é a paixão pela literatura, o prazer de editar livros e criar elos que fortifiquem a intelectualidade dos novos escritores, reconhecendo a contribuição dos que buscam firmar conteúdos de qualidade, abertos para o debate colaborativo.

Idealizada por Nathan Matos, em parceria com Madjer de Souza Pontes e Talles Azigon, a Editora Substânsia pretende contribuir para a ampliação de um cenário literário, ainda escasso, no Ceará. A independência na edição surge não como uma única possibilidade, mas como uma linha editorial a ser seguida.

A ideia de montar uma editora não surgiu do nada, foi um processo lento e demorado, discutido e pensado desde que tivemos a concepção de que necessitávamos contribuir para a difusão de novos escritores seja nas mídias virtuais, seja com a publicação física dos textos que nos chegaram e continuam chegando!

Os editores já atuavam no campo literário, seja escrevendo ou participando e inventando eventos para divulgar a Literatura, incentivar escritores, poetas, ensaístas, contistas, enfim... todos aqueles que de uma forma ou de outra estiveram interessados na concepção do diálogo para a produção literária.

Os três editores, em constantes conversas – em mesas de café ou de bar – pensaram e resolveram se unir para publicar os seus próprios livros, porém, a ideia ganhou energia suficiente, depois de um longo processo de amadurecimento, e decidimos fundar a Editora Substânsia para publicar outros novos autores que, sem dúvida, compartilham do mesmo sonho que dividimos.

Foi da ânsia de fazer e de trabalhar com o que mais gostamos que fundamos a Substânsia.

Esperamos que possa dividir esse Sonho conosco! 

Um abraço,

Os editores

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