Entrevista com Sânzio de Azevedo
Semana passada, via
e-mail, realizei uma pequena entrevista com o escritor Sânzio de Azevedo. O
autor cearense é consagrado pelos seus títulos voltados aos estudos literários,
em especial sobre a Padaria
espiritual, agremiação cearense de maior repercussão nacional. Eis a nossa
rápida conversa:
Léo P. Acredito que seu pai, Otacílio de Azevedo, que era
poeta e pintor, tenha lhe influenciado na sua escolha pelo mundo das letras.
Podemos afirmar isso?
Sânzio
de A.
Meu Pai, Otacílio de Azevedo, foi a grande influência, principalmente
quando comecei a fazer poemas.
Léo
P. O
seu primeiro livro, A terra antes do homem, é de teor filosófico e científico.
Depois dele você se dedicou mais a falar sobre literatura, como foi essa
mudança de escrita?
Sânzio
de A.
Comecei com esses poemas, e artigos sobre literatura, mas como gostava de
Paleontologia desde criança, em São Paulo fui convidado a escrever um
livro de divulgação científica, publicado em 1962, quando eu tinha 24 anos de
idade.
Léo
P. No
mundo acadêmico não se pode falar sobre a Padaria Espiritual sem citar o seu
nome, já que você é o teórico que mais se debruçou sobre o assunto. Como você
"descobriu" a Padaria Espiritual?
Sânzio
de A. Na
adolescência, ouvia falar do grêmio, mas tomei conhecimento dele mesmo quando
meu saudoso amigo Faria Guilherme me presenteou com um exemplar d'A
Padaria Espiritual do Leonardo Mota, de 1938. Depois, passei para as
pesquisas em periódicos do século XIX, além dos livros de Mário Linhares,
Dolor Barreira e outros.
Léo
P. Em
uma palestra na UVA, em Sobral, você disse que encontraram a "Ata com o
registro das fornadas dos padeiros", tem alguma previsão desse material
histórico sair impresso?
Sânzio
de A. As
Atas da Padaria Espiritual, que passei 40 anos procurando aqui e no Rio de
Janeiro, estavam no Instituto do Ceará. Graças a Marinez Alves e ao então
presidente da entidade, bibliófilo José Augusto Bezerra, pude ler as atas, com
grande emoção. O José Augusto pensa em publicá-las este ano.
Léo
P. Você
também já publicou livro de poemas, você se considera um teórico ou um poeta?
Sânzio
de A.Como
poeta, tenho 4 livros publicados e figuro em mais de 10 antologias, mas a
maioria de meus livros é de ensaio ou historiografia literária.
Léo
P. Esse
ano teve a publicação de um livro infantil, poderia falar um pouco sobre ele?
Sânzio
de A.
Hoje à noite (19 h), no Espaço O POVO de Cultura e Arte, será lançado O
Curumim pintor e outras histórias, infantojuvenil, escrito há seis
anos. Primeiro livro meu do gênero e talvez o último...
Léo
P.
Teremos mais livros seus publicados em breve? Alias, você tem algum livro no
prelo?
Sânzio
de A. No
prelo mesmo não diria, mas terminei um livro que chamarei de Relembrando (Escritores
que Conheci), falando de prosadores e poetas com quem convivi no Ceará, em São
Paulo (onde morei mais de 6 anos) e no Rio de Janeiro (onde fiz o meu
Doutorado pela UFRJ). Falo de 54 vultos das letras nacionais.



