Artesão das Palavras: uma conversa entre amigos
por Jana Lauxen
O escritor, tal e qual
um artesão, que modela o barro bruto até que se transforme em um bonito vaso,
trabalha sob o mesmo princípio: vai municiando-se de um grande conjunto de
palavras soltas e moldando-as, até que se transformem em um texto bem-acabado e
interessante.
Esta certamente foi a premissa
da qual partiu Luiz Valério de Paula Trindade (www.luizvalerio.com.br), autor da obra
Artesão das Palavras. Em seu livro
de estreia, o escritor paulista reuniu trinta e três crônicas e duas poesias,
versando sobre os mais variados temas: do arrependimento ao amor, da felicidade
ao envelhecimento, da maternidade ao romantismo. Poucos assuntos ficaram fora
da transformação que Luiz promoveu, convertendo palavras soltas e vagas em
textos intensos e relevantes.
Os pontos levantados na
obra são universais; impossível ao leitor não se identificar com a maneira leve
e direta do autor em expor seus pensamentos e ideias. Através de uma simplicidade
ímpar, Luiz Valério conseguiu tornar seu livro uma espécie de válvula de escape
literária, permitindo que seus leitores, em meio ao caos do dia a dia, parem
para respirar e refletir sobre assuntos que são comuns a todos nós – e que geralmente
ignoramos, ocupados que estamos em correr sem parar.
As análises e
ponderações contidas na obra são agradáveis e sensatas, mesmo abordando temas
muitas vezes controversos. Para escrever, Luiz Valério inspirou-se na natureza
humana e suas muitas nuanças – que, apesar de serem individuais e intransferíveis,
são sempre similares em sua essência. Até por que, no fim somos todos iguais, e
sofremos das mesmas angústias, e exaltamos as mesmas alegrias, e trazemos nossas
personalidades repletas de labirintos e becos sem saída.
Luiz Valério se propôs,
com sucesso, a percorrer estes labirintos e becos, e ali encontrou farto e
vasto material humano e social para refletir através de suas crônicas.
Seus textos parecem
dialogar com o leitor de maneira amigável e sincera. E embora deixe claro seu
posicionamento sobre determinados assuntos, Luiz Valério não se impõe, e mantém
aberto um espaço para contestações e divagações, que somente vem a acrescentar
e enriquecer o debate. Como em uma conversa entre amigos.
Logo, é impossível não
se deixar envolver pela escrita precisa e esmerada de Luiz, que não poupou
esforços para tornar seu texto atraente, reflexivo e repleto de informações.
Tanto que, ao terminar sua leitura, bate aquela tristeza estranha, que apenas alguns
livros são capazes de provocar.
Luiz Valério inspirou-se
na vida que vê e percebe para escrever as crônicas que integram o livro Artesão das Palavras. Mas não só em sua
vida e em suas percepções particulares, mas na vida que vê e sente em sua
volta, e que percebe e apreende das pessoas ao seu redor.
Há, ainda, um detalhe
aparentemente sutil, mas que, em minha opinião, confere ao livro um charme
estilístico e elegante: ao longo da obra, foram incorporadas imagens coloridas
que, de certa forma, casam com os temas abordados, acrescentando aos textos de
forma certeira e incisiva.
Por estas razões, é
praticamente impossível não se identificar com uma ou com todas as crônicas presentes
na obra. E é por isso que o livro Artesão
das Palavras é leitura recomendada para todos que, mais do que simplesmente
viver, querem tirar da vida reflexões e análises capazes de tornar seus dias
mais leves, mais lógicos e mais felizes.
Como um artesão de sua
própria existência.
Jana Lauxen tem 29 anos e é escritora, autora dos livros Uma
Carta por Benjamin (2009) e
O Túmulo do Ladrão (2013).
Página
na internet: www.janalauxen.com

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