A dor, poema de Pedro Gomes
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| Amor e dor, Edvard Munc |
por Pedro Gomes*
Como é olhar
para o futuro preso ao passado?
Como é ter o
passado como seu presente?
Viver o presente
é um fardo.
É o peso das
lembranças, sentimentos e dor.
Remexer na
ferida, reviver o drama e ter recaídas.
É gozar da dor
de algo que não passou. E até mesmo gozar de algo que não viveu.
É imaginar uma
história que nunca aconteceu.
Viver a história
do “se”.
Construir e
reconstruir todos os dias uma armadura para suportar as pancadas.
Uma armadura tão
frágil que não suporta tiros cegos. Cegos por não ter onde acertar.
É sentir-se
dilacerado a cada dia, hora, minuto e segundo.
O tempo causa a
dor.
A dor está no
tempo.
Suportar está no
tempo.
E a cura também.
*Estudante de Psicologia da Universidade Federal de Goiás - Regional Catalão.

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