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17 de fevereiro de 2014
O som no cinema: imagens que vibram

O som no cinema: imagens que vibram


por Romário Nunes*

A música suplementa a atmosfera cinematográfica desde os primeiros filmes. Nas apresentações no cinématographe Lumière, o som de piano acompanhava as projeções ao vivo, desempenhando assim, um ritmo. Talvez por isso, muitos contestem a noção de Cinema Mudo, já que o som sempre permaneceu junto às imagens, fortalecendo a dramaticidade das cenas. 

A invenção do telefone sem fio por Landell de Moura em 1904, contribuiu para muitos cientistas pensarem na possibilidade de unir em definitivo as imagens fabricadas aos sons produzidos. Mas mesmo antes do telefone, o Fonógrafo, aparelho que Thomas Edison desenvolveu em 1878 para gravar e reproduzir o som, já alçava voos a fim de captar e emitir sensações através das ondas sonoras. Posteriormente, Edison elabora outra máquina, o Kinetoscope, que tinha a função de sincronizar as imagens da câmera ao som do Fonógrafo.

Com o Kinetoscope, Edison pôde fixar o som à película, que mesmo com uma má qualidade, foi determinante para prover os filmes de diálogos. Portanto, o cinema proporcionou o elemento sonoro em relação ao dispositivo imagético, condicionando o espectador a direcionar não somente sua visão, mas também sua audição para a tela.

Para entendermos o porquê da vontade de obter filmes sonoros, temos como exemplo o filme Berlin: sinfonia de uma cidade (1927). Este filme de Walther Ruttmann, apesar de gravado de forma silenciosa, é emblemático para pensarmos a composição sonora na máquina cinematográfica. As imagens mostram o acordar e o anoitecer da cidade de Berlin, contudo, o tom do filme é outro quando assistido acompanhado de uma partitura musical. A dramaticidade causada pelo dispositivo de áudio desloca o espectador do acento para a tela, envolvendo-o com as imagens de forma mais intensa.

Ruttmann experimentava o uso do som de várias formas. Em 1930, lança uma produção totalmente sonora, ou seja, sem imagens. Intitulado Fim de semana, esta produção aponta para a forma narrativa que o som pode gerar. A gravação surpreende pela linha narrativa e, mesmo sem ver o que se passa, nos coloca como espectadores de acontecimentos que se postam de forma sucessiva.

Outro marco na história do cinema sonoro foi o filme The jazz singer (1927) de Alan Crosland. Este musical surpreendeu a todos pela introdução de pequenas falas ao longo da narrativa. Para sua exibição, foi utilizado um sistema de sonorização através do Vitaphone, outro aparelho que sincronizava com mais qualidade a projeção a um disco que dispunha da trilha sonora. Este filme foi primordial para consolidar de vez a presença do áudio em sincronia com a imagem.

 2001: uma odisseia no espaço (1968), de Stanley Kubrick, contribui para refletirmos sobre a concepção do som na imagem. O filme se inicia com uma sinfonia com o plano da tela escuro. Kubrick introduz um tempo em que o som impera, e cria novas possibilidades com relação ao uso da trilha sonora, incorporando assim, outro sistema de narrar através do que captamos com nossos ouvidos na sala de cinema.

A matéria sonora cria ambientes, espaços outros, que revigoram uma narrativa cinematográfica. Hoje, a forma audiovisual ganhou força, e move-se com grande movimento, reverberando em outras linguagens como a videoinstalação, determinando para novas construções artísticas que, de certa forma, dialogam com o cinema. A junção do som à imagem trouxe possibilidades diversas à narrativa cinematográfica, e como uma arte híbrida, o cinema soube usar este elemento e incorporá-lo de modo significativo. 



*Graduado em letras/inglês pela Universidade Estadual do Ceará, têm experiência no ensino de língua inglesa em cursos de idiomas. Atualmente é mestrando em Literatura Comparada do Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal do Ceará, e é estudante do curso de realização em audiovisual da escola Vila das Artes na cidade de Fortaleza – CE. 


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13 de janeiro de 2014
O alvorecer do cinema

O alvorecer do cinema


O cinema surgiu no fim do século XIX sem grandes pretensões. Os principais inventores da película, os irmãos Lumière, foram os primeiros franceses a criar uma máquina que pudesse captar a imagem em movimento. Procurados por um ilusionista chamado George Méliès, os irmãos disseram que o cinematógrafo era uma máquina de cunho científico, e que não poderiam comercializar o equipamento.

No entanto, a magia do cinema causou espanto e curiosidade para quem teve a oportunidade de ver um curto filme, em que foi mostrada a chegada de um trem em uma estação. Os boatos que se seguiram é que a plateia que acompanhou a projeção imaginou que aquele trem seria de verdade. Logo, um imaginário fantástico se criou em torno do cinema.

O ilusionista George Méliès foi quem utilizou bastante o cinema para representar seus truques de mágica. Depois que ele conheceu a invenção dos Lumière, apropriou-se da máquina cinematográfica para desenvolver experiências de cortes, criando os primeiros efeitos especiais. Nos filmes de Méliès, a ficção reinventa os paradigmas do cinema, pois os filmes poderiam servir não apenas para registrar um período histórico de determinada sociedade, mas contar uma narrativa, incluindo elementos diversos que dariam uma nova roupagem ao cinema.

A narrativa cinematográfica aos poucos foi ganhando legitimidade, e em um período de pouco mais de uma década, vários cineastas surgiram na Inglaterra e nos Estados Unidos, que aperfeiçoaram esta nova ferramenta artística. O estadunidense David W. Griffith foi quem observou que a imagem em movimento, para ganhar status de arte, deveria reproduzir um formato mais linear e narrativo, logo, Griffith utilizou as técnicas do texto literário de Charles Dickens para introduzir filmes que contassem uma história através de um enredo similar à literatura. Com o sucesso de seus filmes, dentre os quais se destaca O nascimento de uma nação (1910), o cinema empreendeu grande evolução nos anos seguintes.

Em 2014, o cinema completará 119 anos de história. Aquela invenção oriunda da sociedade da belle-époque revigorou-se ao longo do século de sua existência e, hoje, faz parte do imaginário de cinéfilos em todo o mundo. Os primeiros filmes foram os primeiros ensaios que apresentaram a dimensão de uma arte híbrida, inventiva e surpreendente. O cinema reproduziu e reproduz durante toda a sua história, ideologias, sentidos, e construções de diferentes sociedades, e como tudo que se faz pela mão do homem, é capaz de conscientizar ou manipular a nossa imaginação.



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