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13 de maio de 2014
3 poemaprosa de Priscila Rôde

3 poemaprosa de Priscila Rôde



Indefinível

À memória, um outro corpo salvando meu corpo desses teus confins inconclusos, para que eu não desista do amor que me deixou quebrada e indefinível. Para que eu não desaprenda o caminho das sedes e a penumbra das faltas entardecidas de Domingo. Para que eu não perca essa alegria de manhã levantada, recém-plantada em minha pele que ora te envolve, ora te desprega de mim.


Noturna mente

Venho da noite. Dilato uma nova maneira de atravessar as bordas que não cicatrizam e não calam e deixam a ferida cada dia mais exposta. O nervo exposto. O peito exposto. Amor com sangue circulante – cansado, no entanto. Venho da noite, antiga e sem claridades. Rente à borbulha, mergulhada na efervescência das luas que ardem e despregam-se céu adentro, como se rompessem, como se desistissem, como se dormissem, eternas e derramadas. Saio da noite. De mim para longe. Do mundo para lugar qualquer – onde nada que respira lava da terra a tua ausência, nem diz por que ainda amanheces.

Desistência


Qualquer dia (quando eu desistir de tudo) serei a sombra do impossível novamente. Tua procura na curva dessas tardes. O horizonte dessas tardes. Uma lembrança rasgando o céu dessas tardes. Chuva reluzente. Sensação pausada comprimindo o olhar. Silêncio pro teu chamado. Serei tudo. Caos e distância. Voo e pouso. Um sumiço impedindo algum descanso. Qualquer dia, quando eu desistir de tudo, serei o porto novamente. Lágrima sem fluxo. Tudo, menos essa presença. Menos essa canção que perde a força. Jamais esse aperto que te reacende à medida que o amor me deflora.


Priscila Rôde nasceu em Salvador/BA em 02 de Maio de 1991. Escreve no Blog Mar Íntimo desde 2009. É Autora do livro “Para que fiques”(Editora Penalux/2012).

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2 poemas de Priscila Rôde

2 poemas de Priscila Rôde



Infiltração

denso
meu corpo sintetiza
o absurdo
avoluma-se

um filete de mundo
chora, irrompe
o centro das mãos
desalinha rio
parapeito, beco
encontro
estrada adentro:

aceno
pra desaguar a superfície.



À beira
nua, inconclusa e sem precedentes:

firo a pele, viro a pele e avanço
a tempo de não saber mais de mim
(exposta, velha desconhecida,
quase a mesma desconhecida)

vária, etérea, febril
avanço a tempo de cometer a vida —
esse ponto terminável, sensível
reduzido ao vazio de um eterno lançado

que à beira de, desistiu.



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