3 poemaprosa de Priscila Rôde
Indefinível
À memória, um outro corpo salvando meu corpo desses
teus confins inconclusos, para que eu não desista do amor que me deixou
quebrada e indefinível. Para que eu não desaprenda o caminho das sedes e a
penumbra das faltas entardecidas de Domingo. Para que eu não perca essa alegria
de manhã levantada, recém-plantada em minha pele que ora te envolve, ora te
desprega de mim.
Noturna mente
Venho da noite. Dilato uma nova maneira de
atravessar as bordas que não cicatrizam e não calam e deixam a ferida cada dia
mais exposta. O nervo exposto. O peito exposto. Amor com sangue circulante –
cansado, no entanto. Venho da noite, antiga e sem claridades. Rente à borbulha,
mergulhada na efervescência das luas que ardem e despregam-se céu adentro, como
se rompessem, como se desistissem, como se dormissem, eternas e derramadas.
Saio da noite. De mim para longe. Do mundo para lugar qualquer – onde nada que
respira lava da terra a tua ausência, nem diz por que ainda amanheces.
Desistência
Qualquer dia (quando eu desistir de tudo) serei a
sombra do impossível novamente. Tua procura na curva dessas tardes. O horizonte
dessas tardes. Uma lembrança rasgando o céu dessas tardes. Chuva reluzente.
Sensação pausada comprimindo o olhar. Silêncio pro teu chamado. Serei tudo.
Caos e distância. Voo e pouso. Um sumiço impedindo algum descanso. Qualquer
dia, quando eu desistir de tudo, serei o porto novamente. Lágrima sem fluxo.
Tudo, menos essa presença. Menos essa canção que perde a força. Jamais esse aperto
que te reacende à medida que o amor me deflora.
Priscila Rôde nasceu em Salvador/BA em 02 de Maio de 1991. Escreve no Blog Mar Íntimo desde 2009. É Autora do livro “Para que fiques”(Editora Penalux/2012).



