Resenhas Entrevistas Contos Poemas Crônicas Ensaios
23 de janeiro de 2014
Poemas de João Meireles

Poemas de João Meireles


por João Meireles

NOTAS DE UM FLERTE NA FILA DO CAIXA

dançar nunca
é demais

no supermercado prefiro
o corredor de
enlatados

onde sinto teu soro suado
me banhar

e os lábios abertos
divididos entre

palavras prazerosas
e macarrão instantâneo

me deixo levar
por quem

tão obstinadamente
me conquista

vaga-lumes armados
lutamos molhados

me deixo levar
por quem sabe dançar


BÚSSOLA

o circo está na cidade
e o caminhão pipa
vem descendo pelo breu

eles correm para o portão
a boca cheia de areia
correm cansados de esperar
na sala de jantar

cresci sob um coqueiro
uma goiabeira
e um pé de acerolas

a ciência dos cuidados estraga
mas dos sonhos
me fiz sacerdote

entre mim e o outro
há apenas o meio
e no fim de todas
as estradas
o norte


POETRY MON AMOUR

não é qualquer dickinson/ que eu trago pra cama/ pra me descobrir/ pedaço por pedaço/ é preciso ser emily/ bishop/ ou mulherão feito fernada (a branco)/ pra me descobrir/ na minha cama/ é preciso falar a minha língua/ é preciso ser quente/ “antes não fodida/ que mal fodida”/ como adília/ ou trazer nas veias/ minas e rimas/ como adélia/ na minha cama/ não cabe qualquer uma/ aqui é game over/ start again, cecília/ ou vai, ou racha/ aceito somente boas letras/ quando acaba/ vai cada um pro seu lado/ sem almoço em shopping/ ou feira/ nada de danças ou josephine baker/ é o fim das canções/ da cama/ do abraço/ e eu permaneço parado/ escuchando los ronquitos de thénon/ na minha cama

SENTA LÁ, SARTRE

brinquedos quebrados
não questionam
pureza

desinteressante a
ausência de foco
dos sentimentos:
                
                   o seguro morreu velho
                              e o apaixonado,
                                               cego

inocentes
os pés descalços
os cabelos
                amorfos

o fardo não é leve

mas vale o
uso da imaginação
e de crayons
pra colorir

enquanto isso
meu gato me encara
branco & preto
por trás do
verde –

habitante do brilho
prateado, ele sabe

certas as elipses
da vida
           (a miopia
                  necessária):

ocultam o inferno
em nós



nasceu no rio de janeiro em 1993, onde ainda reside. canceriano, colecionador de canecas, poeta por vocação, contista por atrevimento e aspirante a romancista, cursa a faculdade de história e colabora com os sites indique um livro e literatortura.
Leia Mais
Copyright © 2012 LiteraturaBr All Right Reserved
Designed by Bravo WebDesign | CBTblogger