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3 de março de 2014
3 poemas de Mariana Belize

3 poemas de Mariana Belize


por Mariana Belize

quatro braços
lembrança torturada em mensagem engarrafada
afunda na areia.
não há na ilha
quem possa lê-la.

silenciosamente
escrever não quebra nada.
meus pratos estão todos
inteiramente espatifados
pelo chão da sala.

fado
olho pra você
e sorrio

nada mais sociável
que o homicídio.



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4 de fevereiro de 2014
Poemas de Kaio Dinossauro

Poemas de Kaio Dinossauro



por Kaio Dinossauro
Voltando a ser criança

Lembro vagamente de algumas coisas da minha infância, e uma delas era
quando eu tinha uns quatro ou cinco anos
e meu avô quando ia visitar minha casa, trazia umas caixinhas de leite
parmalat, e eu adorava. Ele me pegava no colo, deixava eu usar o boné
dele, essas coisas bobas e simples entre avô e neto.
vinte anos após isso, eu cresci, virei adulto, meu avô foi o contrário, virou
criança, sim, cada dia que passa meu avô está virando criança, daquelas
bem puras, bem pequenas. Assim como uma criança, ele não pode mais
ficar sozinho, sempre tem que ter um adulto cuidando dele
ficou bem vulnerável de saúde, precisa de ajuda pra andar, assim como
uma criança precisa de rodinhas de apoios na bicicleta
ele precisa de um ombro amigo pra ir da sala pro quarto
voltou mesmo a ser criança, até fralda ele usa.
fico observando ele ali parado, olhando pro nada, pensando na vida
estou aqui me perguntando, será o que se passa na cabeça de um homem
de setenta anos que está voltando a ser menino?


Sonhos

Quando criança, nunca sonhei ser astronauta, cowboy ou médico, sempre pensei em ser vendedor de picolé, pois achava que poderia comer todos os picolés enquanto trabalhava. Outro sonho estranho era o de trabalhar nas extintas locadoras de VHS, pois imaginava que ficaria o dia inteiro assistindo filmes e desenhos animados. E por último, sonhava trabalhar em Lan House, pois queria ficar o dia inteiro na tal da internet, recém chegada no meu dia-a-dia, lá pelos anos dois mil e pouco. Enfim, só tive sonhos idiotas, e acabei virando poeta, que da a mesma renda que um vendedor de picolé, assisto o mesmo tanto de filme e desenhos de uma pessoa que trabalha em locadora de filmes e passo quase que o dia inteiro na internet, acho que realizei meus sonhos da infância.


O Horóscopo que não funciona [do livro PEG & PAG]

Áries
um ariano
daqueles bom bril
areou tanto a vida
que ela ficou igual tacho
panela polida.

Aquário
meu oceano
está preso num
aquário

- Peixes
se elas são a prova d'água
onde afogo minhas mágoas?

Touro
não se derruba
um touro com
estouros.

Gêmeos
tem dias
que quero comer
coxinhas

tem dias
que quero comer um
americano.

Câncer
conheço um CARAnguejo
que de tanto AMARgar
o gosto do beijo

fugiu pra rua
mas o seu fim
foi na lua.

Leão
Ele se acha importante
com a juba
na mão

mal sabe:
jujuba se compra
com um tostão.

Virgem
Num corpo
virgem
a vida é
pura viagem
cheia de vertigens.

- Libras
Balança
e cai
pede socorro
em libras
nem o vento
te escuta.

Escorpião
Saber que não
tem veneno
é o fim
da picada.

Sagitário
Um disparo de flecha
pode abrir um rio
derrubar um exército
ou acabar com a festa.

- Capricórnio
Fofoco
o foco

p
i
n
o

foi a forca
do seu destino.


[sem título]

geralmente é assim
a pessoa começa a gostar de você
se aproxima e diz querer viver com você a vida inteira
você fica meio pé atrás
porque todo mundo que ti disse isso
vazou da sua vida
mas você é bobo
e vai deixando as coisas irem acontecendo
com o passar de alguns meses
a pessoa percebe que você é chato
e que não se parece com nada do que ela idealizava
aí termina tudo meio que na base da indiferença
e daqui uns meses surge outra pessoa
e a vida vai seguindo.


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30 de janeiro de 2014
Poemas de Mateus Juzé

Poemas de Mateus Juzé


por Mateus Juzé

Pequeno dossiê sobre a imensa problemática na rotina de
um medi
cid-adão


boiar pela orbita da calçada
como se fosse  apenas mais um cometa  
que  não cometa  trans
                               tornos em torno de si
sendo apenas mais um cometa
numa rua ,declive pulular,desse uni
                                                verso
                                                pop
                                                ular.
I I
que destranca   a  porta da solitária palavra casa
estende uma lua cheia e uma outra lua minguante
no varal estrelado da noite
e no intuito de amanhã bem cedo
vestir  a camiseta  azul do amanhecer
pendura  seu sol em algum cabide.
sendo  mais um dia escorrendo sobre seu corpo
sendo  mais um vento escorrendo sobre seu agreste.
vorazmente o calendário  range  seus  12 dentes em 365 contrações e
esse corpo agreste agradece os esforços  dos  corpos celestes
que impreterivelmente amanhecem e anoitecem
como  as pessoas que im-pre-te-ri-vel-
mente amanhecem e anoitecem.
mesmo com um chip implantado
no fêmur das suas condutas.
I I I
sonha matar a sede
no útero da palavra montanha
para retornar  fluindo e jorrando pelas trilhas do dia a dia.
abraçado pelos  dois braços da  letra V  conectando-o ao  verbo  viver
nessa humanidade que é um Adão digital
o  ultimo homem no canavial
Exôdo invertido nesses apocalipses de todas as  manhãs.
sendo antes um esperma  a espera  da globalização.
dessa  gaiola azul ninguém corre.
Pois no dia do velório ao invés de choro
acontecerá  um chá de bebê
ao invés de flores e cova
seras enterrado
dentro de um embrião.


O século passa, bisturi

o  atrito da testada
entre dois bois almiscarados
ou uma  capivara roendo a beira da sua palavra rio
são da mesma estatura e da mesma especie
daquilo que se sente e daquilo que  não se diz,
apenas pesa,mudez dura de rocha.
contudo gargalhadas ou descontentamentos
são os ruídos que fazem o corpo ao rebentar.

perdesse o céu,mas nunca
deixando  de relampejar.

um gato siames mija no parquinho
e uma adolescente se encanta
e sonha um dia parar de chorar
e começar a miar .
a rua pratica  incisões,faca esquina,faca curva,faca reta.Faca

os raios ultravioletas que se despedem
do deserto do Atacama
para brilharem aqui no seu sorriso.
técnicas de engenharia de caldeira
são aptas a manutenção de um coração.

carência é  o  wi fi
que conecta
Deus ou Iemanjá ou Krshna
com uma pessoa
que vê num dialogo escuro,
olho  no olho,
não apenas  um dia
                                      lógo
mais um exercício de  irrigação
quiça conversar é quase coito .

e esse cardume de piranhas do rio solimoes
aguardando vontades cobertas com
camada de
carnosidade.

um travesti engravida Eva.
porém  foi o mundo que nasceu travestido.
que mamou na teta de um cometa,
babou o moderno e
gofou um golfo de  retrocesso.
Aqui o ar é que te  respira,
a tarifa inflacionaria te suicida,
felicidade não se mede com quilowatts e megabytes
e se esfarelar como uma paçoca
é o seculo que vem e te soca.

o ensinado era
a perfuratriz cutucar o grelo do oceano
para jorrar pre sal
mas somos nós quem jorramos
quando o cotidiano perfura.
Broca de aço no baço.

são os fogos de artifícios
multi-colorindo seu ultimo
pedaço de céu.
mais fogos de artifícios
multi-colorindo seu ultimo
pedaço de céu.
Explosões como as das estrelas e asteróides.
Explosões!
pessoa também explode,
torpedo submarino  neural
esgoelando a guela do alvoroço.

O lance é que a gente despetala um hipopótamo
ou assopra-o feito dente de leão
quando exercemos a função do substantivo Resistência
diante da turbulência

Matheus José Mineiro,artesão e poeta,publicou A cachoeira do poema na fazenda do seu astral,Selo Tomate Seco.


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