2 poemas de Priscila Rôde
Infiltração
denso
meu corpo sintetiza
o absurdo
avoluma-se
um filete de mundo
chora, irrompe
o centro das mãos
desalinha rio
parapeito, beco
encontro
estrada adentro:
aceno
pra desaguar a
superfície.
À
beira
nua, inconclusa e sem
precedentes:
firo a pele, viro a
pele e avanço
a tempo de não saber
mais de mim
(exposta, velha
desconhecida,
quase a mesma
desconhecida)
vária, etérea, febril
avanço a tempo de
cometer a vida —
esse ponto terminável,
sensível
reduzido ao vazio de um
eterno lançado
que à beira de,
desistiu.

