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13 de março de 2014
Encontros Literários Moreira Campos - 100 anos Moreira Campos

Encontros Literários Moreira Campos - 100 anos Moreira Campos

ANOTEM AÍ!
         

Neste ano, comemora-se o primeiro centenário de nascimento do professor e escritor cearense Moreira Campos (1914 – 2014). Magnífico profissional do magistério e exímio contista, Moreira deixou, além de lições e uma vasta e significativa obra literária, admiradores desta obra, sendo muitos destes ex-alunos e estudiosos da trajetória e bibliografia do autor.  
          
Realizada nesta quarta-feira (12), no auditório José Albano, a Conferência de abertura dos Encontros Literários Moreira Campos – UFC – 2014 contou com a ilustre presença do professor, crítico literário e escritor Linhares Filho, além da criadora e curadora do acervo do autor cearense, Profª Neuma Cavalcante, assim como da escritora Natércia Campos, e a neta do autor, Carolina Campos.  
         
O primeiro a ter a palavra foi o professor Linhares Filho, ex-aluno, amigo e grande admirador de Moreira Campos, que presenteou os que ali estavam com histórias e lembranças sobre seu falecido professor, a quem não cansava de tecer elogios, desde o admirável estilo de vida à maravilhosa colaboração literária que nos deixou; um momento emocionante proporcionado pelo professor Linhares foi a leitura da “Última Carta para Moreira Campos”, quando em um de seus trechos, diz: “Venho apresentar-te o meu testemunho particular que coincide com o depoimento geral de que foste um artista perfeito, um professor dos mais capazes e um homem dos mais íntegros.”, escrita a pedido de Demócrito Rocha no ano do falecimento de Moreira. Houve ainda a leitura de um metapoema (Ode ao contista Moreira Campos), também escrito por Linhares Filho em homenagem ao autor, e uma análise estilístico/literária completa do citado poema. Não abrindo mão de que o público ali presente estivesse com o “material em mãos” (a citada carta e dois poemas), logo ao iniciar sua fala Linhares fez um pedido: “peguem lápis ou caneta, não vão sair daqui sem fazer anotações”.
          
Durante o tempo que ficou com a palavra o professor, que fez de sua fala uma esplêndida aula de literatura, estava sempre repetindo: “anotem aí, busquem essa referência depois, etc.”. Mas, decerto, o momento mais emocionante da noite foi quando, ao falar das diversas correspondências que trocou com Moreira Campos ao longo de anos, afirmou que, pela competência das mãos nas quais o acervo do autor se encontra, ele, Linhares Filho, estava disponibilizando tais cartas/correspondências para que também fizessem parte do acervo de seu ex-professor. Como esperado, o auditório explodiu em aplausos e euforia, diante tão sublime decisão do professor.
          
Logo após, foi a vez da curadora do acervo do autor cearense, Neuma Cavalcante, onde agradeceu a presença de todos no auditório, enfatizou a importância que o evento tem não somente para a comunidade acadêmica mas em geral, pois o evento é aberto a todos os públicos, e comentou um pouco sobre futuras publicações relacionadas ao autor, demonstrando também interesse na publicação das correspondências recém cedidas pelo professor, seu amigo, Linhares Filho. Carolina fez sua fala bastante breve. Apenas agradeceu aos que estavam presentes e enfatizou: “meu avô ficaria feliz ao ver a continuidade desse momento que ele tanto amava”.
         
Lembrando que os Encontros Literários Moreira Campos continuarão acontecendo quinzenalmente e é, como dito, aberto a toda comunidade. Mais informações sobre programação, palestrantes e as datas podem ser encontradas no blog abaixo:

     


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12 de março de 2014
Conto - Dizem Que os Homens Ainda Amam

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homenagem a Moreira Campos

Chego a acreditar que é impossível que as rosas não exalem perfume quando são dadas com amor. Seu Campos era um senhor que, entre outras particularidades, tinha como passatempo favorito as tardes de passeio pelas ruas da cidade de Fortaleza – das primeiras décadas do século XX, vale lembrar , sempre apreciando os edifícios e as construções que pareciam dominar o cenário da terra de Iracema. Com sua experiência, sentia que a modernidade e o progresso estavam modificando a geografia fortalezense.
          
Em seu fusca verde, no qual se via na parte traseira um adesivo velhinho, já com as pontas desprendidas, onde estava desenhada uma coruja, colocava-se a observar as igrejas, os museus e os bondes, que exalavam um saboroso cheiro de graxa; além da famosa Praça do Ferreira. Outra particularidade sobre Seu Campos: ele, assim como eu, seu narrador, não se empolgava com o carnaval. Toda aquela bagunça e chafurdaria ele observava de longe. Não lhe agradava aquela algazarra pelas ruas da cidade. Mas este espírito anticarnavalesco não se acentuava também à dona Maria José, ou Zezé, como queiram, esposa de Seu Campos.
          
Quando ainda namorados, Seu Campos ao longe observava Zezé passar fantasiada, dentro de um carro, no Ideal Clube. E como Zezé ficava tímida ao avistar aquele que seria seu esposo e companheiro para toda a vida. Ah, e quão belo de se ver era aquele amor! Casados, Zezé e Seu Campos viveram em diversos lugares na cidade de Fortaleza. Mas, outra particularidade cabe aqui lhes contar: sempre moraram próximos a floriculturas; é do cheiro das flores que o romântico gosta.
          
Todas as tardes saía o bom senhor Campos – em seu fusca verde – até uma floricultura, e as mais belas flores escolhia com carinho e trazia para a companheira, ainda ao cair da tardinha. Todas as tardes. E aquela relação de amor, amizade e afeto era regada com perfume de rosas, margaridas e pelo cheiro doce dos agradáveis lírios. Todas as tardes uma flor para o jardim de Seu Campos, que cultivava com a mesma empolgação do jardineiro que permanece fiel desde o seu primeiro contato sentimental com suas mais cheirosas flores.

O tempo passou, e no quintal do motorista do fusquinha verde podia-se sentir o agradável aroma das flores há muito cultivadas; o cheiro das rosas acompanhadas de olhares tenros e suaves; os beijos respeitosos sobre a testa da mais bela rosa da vida do professor da arte de contar histórias. Seu Campos nos deixou.

O quintal floresceu em cor e perfume, o jardim transpassou muros e portões, invadiu a cidade, pois esta é apenas uma das lições que Seu Campos nos deixou: ainda não está totalmente perdida a sensibilidade de cultivar e escolher flores, e, com amor e respeito, entregá-las a quem nos faz o coração palpitar mais forte, pois dizem que os homens ainda amam.
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