2 poemas de Michelly Jardim
Lôa
sua prece quieta
ocupa um lugar
entre o começo de Deus e
o fim do seu corpo
não sofre tanto.
porque te secas e te
porto
e te janelas e tempo e
bruma
e raízes
o nome
onde ainda procuro sua
causa.
e porque não encontro
não posso te esclarecer
as mãos, os olhos
constantemente desaguando
não doa tanto, branca
não sofra tanto
por que não sou
suficientemente santa
nem sou tão leve
pra te fugir as coisas
retas, os seus tumultos
tento uma palavra que te
salve
mas não tenho no nome
Maria ou ave
essas que aproximam
qualquer substância
dos santos pela
simplicidade
por também existirem
entre Deus e o chão.
revoando.
e não te salvar
me morre um pouco.
deito no seu ventre e
entrego o que tenho de
imaculado:
minha existência líquida.
me seco
como se nessa travessia
habitasse salvação.
*
da cura
a
palavra é tentativa de ser:
janela, baía.
ser
movimento que recebe águas
tentativa
de milagres
cultuar
o que a mão não toca
de
molhar as securas
e
porque a boca insiste em coisas magras
verbos
sem claridade
ensaio
leveza
falo
como quem reza
comer
o amargo
saber
isto, de ser rebento de um ventre-água
e
viver o chão
sentir
da pedra o que não é pedra
acolher
o chão a crença
as
agonias dos pés que andam de fé e falta
cuidar
o peito imediato
aquele
outro que não foi feito em mim, e me habita
entender
as coisas brancas.
isto,
permanecerá.
tento
a palavra Deus. rogo:
o
que amo, Deus, quando meu olho não vê em pedra muito
mais
que pedra?
que
faço Deus, se não sou de sua imagem?
me
apego aos santos? murmuro palavra-purificação?
tu
deixou o verbo no início.
és santo porque és longe. sagração das
distâncias.
e
me escapa pelas mãos.

