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30 de janeiro de 2014
Poemas de Mateus Juzé

Poemas de Mateus Juzé


por Mateus Juzé

Pequeno dossiê sobre a imensa problemática na rotina de
um medi
cid-adão


boiar pela orbita da calçada
como se fosse  apenas mais um cometa  
que  não cometa  trans
                               tornos em torno de si
sendo apenas mais um cometa
numa rua ,declive pulular,desse uni
                                                verso
                                                pop
                                                ular.
I I
que destranca   a  porta da solitária palavra casa
estende uma lua cheia e uma outra lua minguante
no varal estrelado da noite
e no intuito de amanhã bem cedo
vestir  a camiseta  azul do amanhecer
pendura  seu sol em algum cabide.
sendo  mais um dia escorrendo sobre seu corpo
sendo  mais um vento escorrendo sobre seu agreste.
vorazmente o calendário  range  seus  12 dentes em 365 contrações e
esse corpo agreste agradece os esforços  dos  corpos celestes
que impreterivelmente amanhecem e anoitecem
como  as pessoas que im-pre-te-ri-vel-
mente amanhecem e anoitecem.
mesmo com um chip implantado
no fêmur das suas condutas.
I I I
sonha matar a sede
no útero da palavra montanha
para retornar  fluindo e jorrando pelas trilhas do dia a dia.
abraçado pelos  dois braços da  letra V  conectando-o ao  verbo  viver
nessa humanidade que é um Adão digital
o  ultimo homem no canavial
Exôdo invertido nesses apocalipses de todas as  manhãs.
sendo antes um esperma  a espera  da globalização.
dessa  gaiola azul ninguém corre.
Pois no dia do velório ao invés de choro
acontecerá  um chá de bebê
ao invés de flores e cova
seras enterrado
dentro de um embrião.


O século passa, bisturi

o  atrito da testada
entre dois bois almiscarados
ou uma  capivara roendo a beira da sua palavra rio
são da mesma estatura e da mesma especie
daquilo que se sente e daquilo que  não se diz,
apenas pesa,mudez dura de rocha.
contudo gargalhadas ou descontentamentos
são os ruídos que fazem o corpo ao rebentar.

perdesse o céu,mas nunca
deixando  de relampejar.

um gato siames mija no parquinho
e uma adolescente se encanta
e sonha um dia parar de chorar
e começar a miar .
a rua pratica  incisões,faca esquina,faca curva,faca reta.Faca

os raios ultravioletas que se despedem
do deserto do Atacama
para brilharem aqui no seu sorriso.
técnicas de engenharia de caldeira
são aptas a manutenção de um coração.

carência é  o  wi fi
que conecta
Deus ou Iemanjá ou Krshna
com uma pessoa
que vê num dialogo escuro,
olho  no olho,
não apenas  um dia
                                      lógo
mais um exercício de  irrigação
quiça conversar é quase coito .

e esse cardume de piranhas do rio solimoes
aguardando vontades cobertas com
camada de
carnosidade.

um travesti engravida Eva.
porém  foi o mundo que nasceu travestido.
que mamou na teta de um cometa,
babou o moderno e
gofou um golfo de  retrocesso.
Aqui o ar é que te  respira,
a tarifa inflacionaria te suicida,
felicidade não se mede com quilowatts e megabytes
e se esfarelar como uma paçoca
é o seculo que vem e te soca.

o ensinado era
a perfuratriz cutucar o grelo do oceano
para jorrar pre sal
mas somos nós quem jorramos
quando o cotidiano perfura.
Broca de aço no baço.

são os fogos de artifícios
multi-colorindo seu ultimo
pedaço de céu.
mais fogos de artifícios
multi-colorindo seu ultimo
pedaço de céu.
Explosões como as das estrelas e asteróides.
Explosões!
pessoa também explode,
torpedo submarino  neural
esgoelando a guela do alvoroço.

O lance é que a gente despetala um hipopótamo
ou assopra-o feito dente de leão
quando exercemos a função do substantivo Resistência
diante da turbulência

Matheus José Mineiro,artesão e poeta,publicou A cachoeira do poema na fazenda do seu astral,Selo Tomate Seco.


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