3 poemas de Marcos Paulo Leão
Marcos Paulo Leão
Repugnantes Repugnâncias
Não tenhas medo, minha criança
Que estarei aqui sempre a te acolher
De todo mal que te possa acontecer
Vindo de insolentes que gotejam arrogância
Que pedras poderão jogar em nós
Amantes atados por nó estrangulado
Invisíveis a olhos de senso desregulado
Mas que talvez nunca nos deixarão a sós
Mas o dia derradeiro em breve chegará
E chorarão as pessoas que ao invés de se amar
Ficaram em sua resoluta impertinência de Aedes
Mas eu que não sou louco de te deixar, ó Nefertiti
Apenas fico a zombar desse asco repugnante de Aegypti
Para por fim vislumbrar o futuro homérico que nos sucede
Que estarei aqui sempre a te acolher
De todo mal que te possa acontecer
Vindo de insolentes que gotejam arrogância
Que pedras poderão jogar em nós
Amantes atados por nó estrangulado
Invisíveis a olhos de senso desregulado
Mas que talvez nunca nos deixarão a sós
Mas o dia derradeiro em breve chegará
E chorarão as pessoas que ao invés de se amar
Ficaram em sua resoluta impertinência de Aedes
Mas eu que não sou louco de te deixar, ó Nefertiti
Apenas fico a zombar desse asco repugnante de Aegypti
Para por fim vislumbrar o futuro homérico que nos sucede
*
Acordo de cavalheiros
Não me importam as horas
percorridas,
Mesmo com ela ao meu lado durante
todo o dia,
Quando vem a noite, essa errante
ingrata e vadia,
A tira de meus braços, arrancando
crostas de feridas
Ela, a Noite, vê de perto o quanto
eu sofro
Mas sem se condoer, só concede o véu
negrume
Pra esconder meu rosto pétreo como
de costume
Que mascara a vergonha de ter meus
braços frouxos
Ah, se pudesse estancar as areias do
tempo...
Poderia até fazer um acordo de
cavalheiros:
Tempo, tu que sempre andou desde o
nascimento
Se me concedesse somente um dia sem
teus ponteiros
Aproveitaria todo esse tempo sem
tempo com ela
E, ao final, em gozo diria: agora já
posso morrer em Fevereiro!
*
Carícias Magnéticas
Olhos crispados nos olhos,
Um segundo de tórrido silêncio
De repente:
Uma avalanche de incêndios
E disparo a espremer teus poros
Mãos firmes a sugar
Boca sedenta a nutrir
Olhos infames a ferir
Mordiscas quase a revirar
Deslizo traços precisamente imprecisos
Percorrendo caminhos feito retirante fugido
Desejando teu corpo nu que trepida e pulsa
Com a intenção de me desperder do teu labirinto
Vou tentando achar a terra cálida do meu recinto
Quando finalmente mergulho no cerne de minha musa

