Uma
vida inteira – embora ainda com sete anos – entre os cuidados de casa e os
leitos dos hospitais públicos. A mãe espírita, o pai evangélico e a avó paterna
macumbeira: Joaquim era doente. Com o nome escrito e bolando em altares
diversos, amassado em papéis amarelados, Joaquim era citado no terreiro de mãe
Margareth, na igreja e na Casa de Piedade. À espera de um doador de medula
óssea compatível, o menino indagava constantemente: “dentre todas essas
discussões sobre deus, quem será que está certo? quem poderá ter tanto poder
assim pra me dar um sangue novo?”. Por um lado, se imaginava apenas passando
com uma missão de aprendizado pela terra, apenas um estágio de evolução; por
outro, havia cura sim, que ele acreditasse em quem pode fazer tudo; no colo da
avó, ouvia que a reza daria jeito, ele ainda iria brincar muito. Por todos os
lados havia uma busca incessante de ajuda àquela criança. Campanhas fortes no
país inteiro. Mas foi em uma noite de domingo que o menino Joaquim morreu,
sozinho no leito nove do hospital Santa Judite, sem ter a certeza para onde
iria e a qual deus pedir socorro na hora da morte.