3 poemas de Fabrício Donizete
por Fabrício Donizete
Mini Exame
Pega
essa folha com a mão direita
Dobra-a
ao meio
Tira
um parte,
a
mais leve,
Escreve
uma frase,
a
mais breve,
Pronuncia
cada letra,
com
a maior ênfase,
Aguarda
a resposta,
a
mais dura,
Guarda
a mágoa,
com
a menor frieza,
Sai,
e
não esqueça de devolver a caneta.
Meninos da
Candelária
Entre
cruzes de pedra
vivem
os meninos da Candelária
São
pequenos,
raquíticos,
meninos
farrapos,
perambulantes
entre os cascalhos,
os
passos lisos dos solos paroquiais.
À
noite,
os
ratos dialogam
com
os Meninos da Candelária
E
a escura e fria
transição
dos dias,
fica
clara,
entre
isqueiros e pedras,
quando
a lata queima
pesadelos
e dores
fumados
repetidamente
de
segunda a sexta-sempre
raticida
vida,
dos
Meninos da Candelária
Orações
mudas aos meninos,
marmitas
repletas,
roupas
rasgadas,
sonhos
dormentes,
vidas
explosivamente cristalizadas
como
pedras
no
couro dos Meninos da Candelária
Eis
que num dia,
como
outrora,
em
epifanias,
raja
dos céus,
as
balas encontradas,
a
carne queimada por tiros,
a
língua cortada por tiros,
os
sonhos dormentes,
os
gritos pertinentes,
nada
mais rasga a noite
dos
Meninos da Candelária
Entre
cruzes de pedras,
entre
as lápides de pedra,
entre
os fumos das pedras,
repousam,
sangue
e sonhos,
dos
Meninos,
da
sanguínea Candelária.
Gramática erótica
Eu
cedo
Tu
cedes
Ele,
sede.

