Macunaíma é uma obra que foi lançada em 1928 pelo tão
conhecido Mário de Andrade. A obra virou filme em 1969, rodado por Joaquim
Pedro de Andrade. A diferença entre as duas obras já se inicia pela
categorização que são dadas as mesmas: o primeiro é uma rapsódia, o segundo uma
comédia. Para Mário, a classificação feita ao livro é para enfatizar que ali se
cantará os feitos de um herói. Porém, Macunaíma de herói não tem nada, ele é um
anti-herói, e há quem diga que ele é apenas um herói mau. Já no filme, a
rotulação de comédia já nos dá a entender que ali irá ter cenas e motivos para
risadas, enquanto na rapsódia isso não é esperado.
Essa divergência, acredito, surge por conta das diferenças
entre livro e filme. No livro, o personagem possui uma representatividade, que
é uma busca pelo que é ser brasileiro, existe uma relação entre Macunaíma e seu
povo. Já no filme o que se vê é apenas o lado “ruim” do anti-herói e sua
preguiça constante, que também é representada muito forte no livro. Mas
entendemos que o filme não veio para retratar fielmente a obra, mas que veio
fazer uma nova releitura, já que foi filmado 30 anos após a publicação do
livro.
Macunaíma nasceu no meio do mato, e sua mãe nunca lhe quis
bem. Quando criança, e assim nasceu, fica a comer terra e brincar de mentir, de
atraiçoar e de praticar muitas safadezas com seus irmãos: Maanape e Jiguê.
Quando sua mãe o manda embora, no livro, Macunaíma cresce e
se apaixona pela índia Ci, A Mãe do Mato, seu único amor, que lhe deu um filho,
um menino morto. Já no filme, quando Macunaíma chega à civilização, Ci é
representada por uma revolucionária, que acaba morrendo com o único filho que
Macunaíma teve. No filme, após Ci ter saído com a criança e uma bomba relógio
dentro do carrinho do filho deles, a bomba explode matando os dois.
Depois da morte de sua mulher, Macunaíma perde um amuleto que
um dia Ci havia lhe dado de presente, era a pedra “muiraquitã”. O anti-heroi ou
o herói mau fica desesperado com a perda, até que descobre que a havia sido
levada por um mascate peruano, Vesceslau Pietra, o gigante Piamã, que morava em
São Paulo. Já no filme, a pedra é encontrada pelo mesmo “gigante”, que no filme
representa um poderoso industrial, dentro de da barriga de um peixe. Depois da
descoberta do destino de sua pedra, Macunaíma e seus irmãos resolvem ir atrás
dela para recuperá-la. No livro, Piamã era o famoso comedor de gente, mas mesmo
assim ele vai atrás de sua pedra.
Após conseguir a pedra, Macunaíma regressa para a sua tribo,
onde após uma série de aventuras finais, finalizando novamente na perda de sua
pedra. Então, ele desanima, pois sem o seu talismã, que, no fundo, é o seu
próprio ideal, o herói reconhece a inutilidade de continuar a sua procura, se
transforma na constelação Ursa Maior, que para ele, significava se transformar
em nada que servisse aos homens, por isso, vai parar no campo vasto do céu, sem
dar calor nem vida a ninguém.
As diferenças ficam bem evidentes quando lida a obra e visto
o filme. As simbologias existentes no livro ficam, talvez, perdidas por ter
sido o filme realizado após 30 anos a existência da obra literária.
Mas temos de entender que uma obra como Macunaíma, quase uma
lenda, um mito, representou muito para a sua época, e assim o diretor Joaquim
quis fazer o mesmo para com sua época sem perder todo o valor representativo da
obra Macunaíma.


