Wednesday, April 19, 2006



A Casa dos Budas Ditosos

João Ubaldo Ribeiro afirma ter recebido de uma senhora de quase setenta anos um pacote com várias fitas gravadas contando histórias sobre sua vida. Uma mulher devassa, libidinosa e que não tinha medo de fazer sexo quando bem entendesse. O importante é que no livro é nos relatado algo de que todo ser humano tem medo de falar e até de fazer.
A protagonista nos conta como se iniciara no sexo. Ela diz ter nascido para isso, pois nunca tinha ouvido nada de ninguém, mas ela sabia o que devia fazer. Tendo começado sua aventura sexual com um negrinho que morava no sítio do avô, conta como fizera para perder sua virgindade pela frente, como ela costuma falar, porque no cu já havia perdido faz tempo.
Ela detestava ter que em sua época ter que fingir de que não sabia de nada quando ia fazer sexo com algum homem. Tinha que fingir que nunca tinha pegado num cacete, de como nunca havia dado o cu para ninguém, que era essa sua primeira vez. Achava tudo isso uma hipocrisia. Se bem que ela acha muita coisa hipocrisia. Ela acha que devíamos ser mais mente abertas para o sexo. Ela aprendera muito com sua amiga Norma Lúcia, que era pra ela uma ídola, sim, ídola mesmo. Ela não tinha inveja daquelas destrutivas, mas inveja de um dia conseguir fazer tudo que Norma Lúcia fazia. E depois de algum tempo, claro que conseguiu.
Fez com que muitos homens e mulheres melhorassem em suas relações sexuais, achando que fizera até favores a muitos destas pessoas. Concordo com ela. Acha ela que homens e mulheres não devem ter frescuras para todo tipo de sexo, ela por exemplo sempre dizia que os homens gostam de ver mulheres se beijando, se comendo, mas quem disse que mulher não gosta de ver homens se chupando, se comendo, fazendo tudo que tem direito? Tanto é que ela deixava de fazer sexo com homens que não davam o cu para seu marido por preconceito e nem chupavam outro homem. Quando algum homem só queria ser chupado por outro ou enrabar outro, ela fazia com que o otário se sentisse menosprezado, e não é que o cara acabava dando o cu e chupando o pau de seu marido ou de quem estivesse com ela?
Ela e o marido eram dois alucinados por sexo, assim como inúmeros dos seus amigos. Ela sempre falava que a melhor coisa que tem é fazer sexo com amigo, que não existe esse que não se pode transar com amigo por medo de perder amizade. É até melhor, diria ela, pois fica-se mais a vontade, os encaixes saem melhor. Se não fosse para transar com amigo, era melhor transar com alguém que não se fosse mais ver na vida.
O livro pode parecer de uma imoralidade tremenda, mas acho que não passa de uma conversa totalmente sem censura sobre sexo. Quando ela fala sobre seus casos com seu irmão, seu tio, e dizia que se arrepende de não ter comido seu pai, várias pessoas podem ter parado de ler o livro ou ter continuado lendo o livro por curiosidade que o ser humano tem. Pode até ser que quem leu o livro venha mais a frente dizer que não leu por pura vergonha, ou hipocrisia como minha heroína fala.
Merece ela palmas, ou João, o pervertido. O importante é que foi declarado no livro algo que toda pessoa viva que não seja um débil mental tem sim vontade de fazer. Só o que existe como foi dito, são pessoas assim, pessoas incestuosas, pessoas que gostam de sexo animal, de grupal, de todas as formas de sexo. Não se pode repreender isto, não se pode virar os olhos para o outro lado, pois até do outro lado vai haver sexo para ser visto. Não adianta você falar que não pensa nisso. Pensa, e se duvidar pensa até igualmente como ela pensa.
A realidade é que nunca iremos saber realmente se João inventou esta história ou se realmente existiu essa tal mulher. Ela pode até ser fruto da cabeça de João Ubaldo, mas que existem inúmeras mulheres e homens como ela, ah isso existe. E como diria minha heroína que não tem papas na língua e que ama o sexo eu vos pergunto : O que é a vida? E ela vos responde: É foda.A vida é foda.

Serviços: Ubaldo Ribeiro, João. 1a ed.Editora Objetiva LTDA. Rio de Janeiro, 1999..

2 comments:

Sérgio Filho said...

Esse livro é espetacular Nathan,atualmente estou desenvolvendo minha monografia sobre Literatura Erótica,e A casa é uma das obras que estou analisando.

Fran said...

entre um clique lá, outro acolá, cheguei aqui. Adorei!

Te linkei, se me permite, no meu blog!

visitarei aqui sempre!

;)