Tuesday, March 21, 2006


Viva o povo brasileiro

Não posso fazer uma resenha deste livro. Não dá pra resumir o livro. Não da para explicar totalmente o livro. João Ubaldo Ribeiro fez com que eu praticamente chorasse em vários momentos do livro. Um livro que conta realmente como eram tratados os negros no nosso Brasil. Conta como os nobres aqui viviam. O livro narra paralelamente a história da família do Barão de Pirapuama que por sua vez mistura-se com os Ferreira-Dutton de Amleto Henrique. Não temos personagens principais, temos uns mais marcantes que outros. Uns fazem-nos chorar, outros pensar, outros fazem-nos rir.
Mostra como Maria Dafé quis melhorar a vida do povo. Ela acordou para seu povo, quando teve sua mãe morta, com mais de vinte punhaladas, na sua frente. A Irmandade de qual ela pertencia e muitos outros sofridos brasileiros pertenciam sem saber que pertenciam, diziam que fora criada por três negros numa casa de farinha na ilha de Itaparica.
A decadência de um país é totalmente descrita e ridicularizada no livro. Homens, como Bonifácio Odulfo, que achavam que caixeiros, açougueiros, sapateiros, ferreiros, e muitos outros profissionais que exerciam seu trabalho para viver, não poderiam ser chamados de povo, era repudiado pelo próprio irmão Patrício Macário; um deserdado de sua família que fora para o Exército para tomar jeito, também resolve ver o mundo de outra forma, após conhecer Maria Dafé; dizendo que ele e sua corja é que eram estrangeiros europeus, que cá não viviam, que tinham vergonha de falar até a própria língua, estes sim, não eram o povo brasileiro.
Não há como poder falar sobre a grandiloqüência de João Ubaldo neste livro. Creio realmente ser o melhor entre todos os seus livros lidos por mim; e que inúmeras pessoas também o acham. Ele retrata a cara do povo. Retrata o Espírito do Homem, de onde viemos, como viemos e porque vivemos da forma que vivemos. Sempre existirá explorados e exploradores, mas se o povo brasileiro não se unir não haverá formas de combater o mal.
Em uma determinada canastra eram guardados todos os segredos do nosso povo pela Irmandade. Sempre as maiores figuras combatentes para a vida digna de nosso povo foram responsáveis por tal. Tanto é que depois de muitos séculos tendo se passado, e muitas coisas terem sido guardadas, a canastra eis que nos mostra o futuro perante três ladrões, que vieram roubá-la no dia em que Patrício Macário morre, e não conseguem agüentar olhar dentro da canastra por muito tempo, porque nela é guardada o futuro. Nela pode se ver crianças morrendo, estrangeiro mandando aqui, guerras, e vêem, imaginem só, uma corrupção indestrutível que aqui ocorre desde que por aqui chegaram os portugueses. Os ladrões deste futuro, piores que os três, andam de gravata de seda, alfinetes de brilhantes, abotoaduras de pérolas e outras coisas que aumentam seu porte fino.
A casa de farinha se definha sendo comida pela terra. Que não suportou ver tanta miséria prevista pela canastra. O futuro mesquinho estava traçado, e cá estamos nós vivendo ele. E como diria Maria Dafé, Julio Dandão, Negro Budião, Zé Popó, Patrício Macário e muitos outros levantando o braço com punho fechado:
Viva o povo brasileiro! Viva nóis!

Serviços: Ribeiro, João Ubaldo. Viva o povo brasileiro: romance / Rio de janeiro: Nova Fronteira,1a ed., 1984.

2 comments:

Anonymous said...

Excellent, love it! » »

Anonymous said...

Where did you find it? Interesting read » » »