Wednesday, March 15, 2006


Vila Real

“Quem somos? Somos choros plangentes, somos as esmolas das almas dos mundos das misérias das incertezas.”
Não sei bem o que falar sobre a beleza estonteante desta obra chamada Vila Real. Não sei por que João Ubaldo Ribeiro não é lembrado em provas de vestibular e rodas de conversa sobre literatura. João é um marco na historia do romance nacional. Argemiro, personagem principal de sua obra tem que ter lugar ao lado de Fabiano de Vidas Secas, e ao lado de Deodato em Grande Sertão Veredas.
Um homem que fora expulso de sua terra com seu povo, sem saber, guerrear, aprende e vai à luta para poder pertencer à sua terra novamente. Um homem como Argemiro, sem formação, mas que ao mesmo tempo teve sim formação na vida através de seu pai. Argemiro não perde para nenhum homem filosófico.
Não sei como adjetivar esta obra que me fez pensar mais uma vez na minha existência. Por que é isso que Argemiro nos faz pensar, temos que lutar pela vida e pela morte, pois a vida é pela morte, e a morte é pela vida.
João Ubaldo Ribeiro mais uma vez faz com que nos surpreendamos pelo raciocínio da narrativa. Temos que ser leitores assíduos deste monstro brasileiro que tornar-se-á lembrado por muitos, infelizmente quando vier a padecer, pois no Brasil gostamos de lembrar dos mortos. Ubaldo é um dos melhores contemporâneos na América Latina.
Termino por dizer que não podemos deixar de esquecer Ubaldo como um dos maiores de todos os tempos no Brasil.
Quem quiser ver a magnificência desta obra, não perca tempo, leia, que com certeza ira se arrepender de não ter lido antes.

por Nathan Matos