Wednesday, March 15, 2006


Eurídice

Este é o décimo primeiro romance de José Lins do Rego que veio a tona no ano de 1947. Lins do Rego é fantástico, que fique claro minha opinião sobre ele. Neste romance singular, Lins do Rego faz-nos devorar seu livro num ímpeto só. O que se passa no livro é de uma serenidade imensa.
Júlio, o qual não teve uma infância digna, digamos assim, cresceu de uma forma introspectiva. Ele é o narrador de sua própria história e, que aos poucos conversa conosco para informar-nos que sua narrativa está sim dizendo o que na realidade ele viveu, sentiu e sente no momento em que nos conta sua narrativa. Preso, ele resolve fazer com que o tempo venha a passar no decorrer em que ele escreve sobre si e sobre os que ao seu lado estiveram.
Júlio tem em sua essência uma simplicidade e uma serenidade gigantesca. Um estudante de direito que teria um ótimo futuro, vem a se perder pelo cheiro de Eurídice. Ele mostra-nos quanta solidão viveu e sofreu. Sempre nos relatando como foram seus tempos de menino e como foi critica sua passada pela pensão de Dona Glória. Lins do Rego certamente nos passou como a solidão pode ser confortante, mas ao mesmo tempo insensível para conosco. O livro é marcado por três mortes que acontecem de formas diferentes. Mas tenha certeza que uma delas foi levada porque a solidão pairou sobre a cabeça deste jovem de nome Julio.

por Nathan Matos

Serviços: Eurídice/ José Lins do Rego; 3 ed.- Rio de Janeiro: José Olympio, 1980